segunda-feira, 28 de maio de 2012
Kisses from Kairo - A Revelação @ Semiramis
Quarta-feira, 22 de junho, 2011
A Revelação @ Semiramis
Por Luna do Cairo
Traduzido por Lalitha
Sabe aquele clichê super comum "que tudo acontece por uma razão", que as pessoas adoram repetir quando algo de ruim acontece? Bom, ele é verdadeiro. Naquele momento eu provavelmente teria brigado com qualquer um que me dissesse que haveria uma razão por eu ter sido expulsa do Hotel Semiramis. Mas hoje, olhando para trás, eu entendo porque, de um ponto de vista mais amplo, isso foi uma benção disfarçada.
As circunstâncias envolvendo a minha contratação e "des-contratação" no Semiramis foram bem esquisitas. Numa noite comum no Cairo, eu me encontrava sentada na boate do Semiramis com uma amiga bailarina e mais dois gerentes da casa noturna onde a mais famosa bailarina do Egito dança toda semana. É vergonhoso, mas eu demorei uma hora para perceber que o homem sentado do outro lado da mesa e que estava conversando comigo era O gerentão todo-poderoso que contrata novos talentos no Hotel Semiramis. Em minha defesa, ninguém havia me dito quem ele era. Eu apenas tinha sido chamada pela minha amiga bailarina para acompanhá-la numa festa com alguns artistas na boate do Semiramis, e "falando nisso, eu vou fazer um teste lá amanhã".
Ahã, ok. Nós vamos numa festa com artistas e ela estava com um teste marcado no Semiramis no dia seguinte. Tudo bem. Entretanto, conforme a noite avançava e papo ia rolando, eu percebi que o homem sentado na minha frente era, na verdade, O gerente da boate do Semiramis. Quem diria? Era por isso que ele sabia tanta coisa sobre a tal bailarina famosa.
Música pop árabe nas alturas, e lá estávamos comendo, bebendo, dançando e se divertindo. E de repente, o Sr.Gerente começou a me cobrir de elogios, me dizendo que eu tinha tudo para dançar no Cairo - aparência, talento, era jovem, e mais um monte de blábláblá. Ele me disse que poderia me arranjar um teste para a boate e que até pagaria pela banda para isso!
Nesse ponto da conversa, qualquer outra bailarina estaria vibrando de felicidade. Eu, entretanto, já havia sido vítima de muitas falsas promessas, e o meu instinto me dizia que o Sr.Gerente não estava realmente interessado na minha dança. Além disso, a minha amiga (que é uma bailarina fenomenal e uma pessoa de bom coração) estava com o teste dela marcado para o dia seguinte. Não fazia nenhum sentido ele querer contratar uma terceira bailarina para o Semiramis quando eles não tinham demanda para isso. Então, quando ele pediu o número do meu telefone para poder me ligar e marcar o teste, eu respondi educadamente que eu estava ali para acompanhar a minha amiga, e não para apunhalá-la pelas costas.
Apesar do meu desinteresse na sua proposta, eu recebi um telefonema no dia seguinte de manhã, do próprio Sr.Gerente! Ele tinha conseguido o meu número com o Sr.Dorminhoco (mais sobre ele aqui), que deveria estar andando com o meu processo de contratação num cruzeiro no Nilo em Maadi!
O Sr.Gerente me disse que tinha marcado um teste para mim na semana seguinte. Eu perguntei a ele por que ele estava fazendo aquilo tudo, e ele me assegurou que o Semiramis precisava de uma terceira bailarina. Tudo bem então.
Eu apareci na semana seguinte no Semiramis com uma banda de 15 músicos que o Sr.Dorminhoco arranjou para mim no último minuto (10 minutos antes de entrar no palco eu AINDA não tinha um derbakista!!!), eu tinha pagado caro por aquela banda, e o Sr.Dorminhoco tinha me prometido que eu ensaiaria com eles 3 vezes antes do teste. Mas essa era apenas mais uma das suas falsas promessas, eu não tive chance de ensaiar com eles nenhuma vez antes do teste.
E depois dessa confusão toda, eu passei no teste. Mas é claro. A verdade é que eu já tinha passado antes do teste. Muuuuuuuuito antes do teste. Talvez alguns dias, tipo, uma semana antes na boate. Todo esse jogo era apenas "encenação". Basicamente, o Sr.Gerente achou que eu era bonitinha e inocente. Ele queria outras coisas de mim além do trabalho (use a sua imaginação). Mas como ele não podia me dizer isso diretamente, ele passou por todas as etapas de me contratar como bailarina de dança do ventre do Semiramis. Teste, contrato, papelada e tudo o mais.
Foi aí que começou a parte divertida da brincadeira. O Sr.Gerente me ligava diversas vezes durante a semana, me convidando para jantar, tomar um café, o que você imaginar. Quando eu fiquei sem desculpas para não aceitar os seus convites, eu simplesmente parei de atender as suas ligações. Então vieram as mensagens de texto. Quando eu parei de respondê-las também, o Sr.Dorminhoco veio me ver para me informar que o Sr.Gerente estava muito zangado comigo.
"Zangado comigo por quê?" eu perguntei. "Ele está zangado porque você não quer sair com ele", respondeu o Sr.Dorminhoco. "Mas, Sr.Dorminhoco! Você não me fez prometer que eu não aceitaria os convites do Sr.Gerente em nenhuma circunstância? E você não me disse que, tecnicamente, não haveria nenhum motivo para eu conversar com ele porque o senhor era o contato oficial entre a gente?". "Sim," ele respondeu, "mas eu não sabia que o Sr.Gerente iria ficar tão chateado por causa disso".
Fazer o quê? Imagino que qualquer chance que eu tinha de me apresentar de verdade no Semiramis agora tinha se evaporado. Porque veja bem, a reputação do Sr.Gerente o precedia, e eu já tinha escutado falar de casos assim que tinham acontecido com outras bailarinas. Basicamente, o gerente coloca a oportunidade de dançar no Semiramis na frente da bailarina, como uma isca num anzol. Se ela cair na armadilha, ela deve, então, atender a todos os seus desejos. Se ela não cair, ela é basicamente um peixe morto no seu anzol.
E isso era exatamente o que eu tinha me tornado - um peixe morto dependurado no anzol do Sr.Gerente, apodrecendo na miséria de saber que a minha decência tinha me custado a minha chance de dançar!
As coisas só ficaram piores dois meses depois. Era Ramadã, período durante o qual há muito pouco trabalho para a dança do ventre no Cairo por conta do mês sagrado. Eu recebi um telefonema do meu irmão mais novo, de Nova Iorque, que me disse que o seu pai estava no seu leito de morte e que poderia morrer a qualquer momento. Apesar desse homem não ser o meu pai, ele era o meu padrasto, e gastou uns bons 10 anos me criando. Eu fiquei devastada com a notícia, e queria viajar de volta para Nova Iorque imediatamente para ajudar o meu irmão nesse momento difícil e me despedir do meu padrasto.
No momento em que eu estava comprando a minha passagem, lembrei que eu não estava com o meu passaporte. O Sr.Dorminhoco o tinha levado para o prédio do Serviço de Imigração egípcio, onde ele ficaria retido enquanto durasse o meu contrato com o Semiramis! Sem meu passaporte eu não podia comprar a passagem, e, portanto, significava que eu não poderia ir para Nova Iorque antes da morte do meu padrasto. Eu liguei imediatamente para o Sr.Dorminhoco, expliquei a minha situação, e perguntei se havia alguma maneira de reaver o meu passaporte em 24 horas. Ele disse que era possível, mas que precisaria de uma carta do Sr.Gerente autorizando que eu retirasse temporariamente o meu passaporte.
Soava bastante simples, mas significava que 1) eu estava à mercê do Sr.Gerente, que já me odiava por não obedecer aos seus caprichos, e 2) estava à mercê do Sr.Dorminhoco, que, dá pra perceber pelo apelido que lhe dei, era muito preguiçoso e nunca fazia o que era necessário no tempo previsto (isso quando fazia).
Como era de se esperar, o Sr.Dorminhoco não fez nenhum esforço para entrar em contato com o Sr.Gerente, e o Sr.Gerente não respondeu nenhuma das minhas milhares de ligações para o seu celular. Ele não queria ouvir falar de mim por razão alguma. Nesse ponto, sem ninguém para me ajudar ou para ficar do meu lado, eu decidi que minha única alternativa era ligar para a embaixada americana e perguntar se eu podia obter um passaporte temporário ou algum tipo de permissão para viajar numa emergência. O funcionário da embaixada com que falei me pediu para descrever a situação em detalhes. E foi o que eu fiz. Eu disse que tinha sido contratada como bailarina de dança do ventre no Semiramis, o que significava que o meu passaporte estava retido no prédio do Serviço de Imigração egípcio, o que significava que eu precisava de uma carta do Gerente, que não podia ser encontrado em lugar nenhum. O empregado disse que me ligava de volta e desligou o telefone.
A próxima coisa que aconteceu, foi que recebi um telefonema irado do Sr.Dorminhoco, que disse que o Sr.Gerente estava espumando de raiva porque a embaixada americana tinha feito queixa oficial contra ele por manter o meu passaporte "refém"!
Ok, OBVIAMENTE que algo havia se perdido no meio da tradução, ou então o Sr.Gerente estava mentindo sobre a queixa oficial (que aliás, eu nunca cheguei a ver) e estava tirando as coisas da sua proporção para que pegasse mal para mim. Eu nunca acusei o Sr.Gerente de manter o meu passaporte "refém", nem mesmo mencionei o seu nome para o empregado da embaixada!
E depois disso tudo, eu não consegui o meu passaporte de volta, o gerente admitiu ter visto minhas milhares de ligações e se recusado a responder, meu padrasto faleceu no dia seguinte, E o gerente forçou o Sr.Dorminhoco a cancelar o meu contrato com o Semiramis.
Gente, como me dei mal, muito mal! E acabei entrando no jogo dos outros. Entre os custos de processar minha licença de trabalho para o Semiramis, o custo da banda para o teste, e o custo das tarifas aeroviárias (estrangeiros obtendo permissão para trabalhar no Egito são obrigados a sair do país e depois voltar), eu devo ter perdido uns 3 mil dólares. Sem mencionar todo o estresse emocional pelo qual passei por não ter podido estar com a minha família num momento tão delicado. E tudo isso por nada - porque o Sr.Gerente estava esperando por qualquer desculpinha para me expulsar do Semiramis, porque ele não podia aceitar que eu não tinha entrado no jogo dele.
Eu (re)caí numa maré de depressão. Era isso que significava dançar no Cairo? Será que eu tinha mesmo que sacrificar todo o meu auto-respeito para poder ter sucesso por aqui?
Eu liguei para algumas amigas minhas, também bailarinas de dança do ventre, para perguntar sobre a experiência delas com o Semiramis e em outros locais de luxo, só para ouvir histórias de horror parecidas. E comecei a perder as esperanças, e até chorei... o tempo todo fiquei me lembrando que havia bailarinas que conseguiram fazer as suas carreiras de forma decente. Mas será que seria assim comigo? Ou eu simplesmente desistiria?
E então, apenas um mês depois, meu destino mudou completamente. Eu fiz um teste para o Nile Memphis e o gerente imediatamente decidiu entrar com os papéis para contratar bailarinas estrangeiras e me dar um contrato. Sem joguinhos, sem isca, sem virar peixe morto. É verdade que esse barco não tem o mesmo renome ou prestígio que o Hotel Semiramis, mas pelo menos eu poderia me apresentar até cansar sem ter que me submeter aos caprichos de um gerente nojento qualquer!
Entretanto, a coisa mais importante que veio junto com essa minha experiência horrível com o Semiramis, é que ela foi a causa pela qual eu pude ter o meu pedido de licença de trabalho aprovado pelo governo egípcio há um mês. A nova política do Ministério de Relações Exteriores do Egito com relação a trabalhadores estrangeiros é que aqueles que já estavam aqui antes da revolução poderiam ficar, enquanto os novos trabalhadores requisitando permissão após a revolução teriam que cumprir alguns critérios para poderem trabalhar no Egito. Como uma bailarina estrangeira de dança do ventre, eu não conseguiria cumprir nenhum dos critérios, que envolvem principalmente provar que as suas habilidades são necessárias para a prosperidade do Egito. De qualquer forma, o fato de eu ter recebido licença para trabalhar ano passado foi o fator mais importante para convencer o ministro a aprovar o meu pedido.
Na verdade, não poderia ter sido melhor se eu tivesse ficado no Semiramis e estivesse em bons termos com o gerente. Pois, por mais que eu ainda estivesse contratada pelo Hotel agora, quase não tem trabalho lá (antes ou depois da revolução). Eu estaria sentada em casa agora, ao invés de dançando toda noite. Ter sido expulsa do Semiramis foi o que me permitiu ser contratada pelo Nile Memphis, que tem me permitido trabalhar toda noite (antes e depois da revolução)! E agora eu sei qual era a tal razão esotérica para ter sido expulsa do Semiramis. E dito isso, vou terminar esse post com mais uma frase, verdadeira, mas super clichê: "Quando Deus fecha uma porta, Ele abre uma janela." Amem.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Ma liberté de danser - Cap. 6 - Sameh
AVISO IMPORTANTE:
Então,
gente, antes de entrarmos no material relativo ao quinto capítulo do
livro da Dina, quero ressaltar que apenas as partes em itálico e
entre aspas são trechos traduzidos do livro (as traduções são minhas e
às vezes contem alguma adaptação para facilitar o entendimento do
trecho fora do texto completo), e deixo claro que não traduzi o livro
inteiro, apenas algumas passagens que julguei importantes ou bonitas. Todo
o resto do material é uma compilação de informações contidas no livro e
de pesquisa própria minha feita na internet ou na minha biblioteca
particular.
O
material aqui exposto está todo dividido por capítulo (um capítulo por
post, sempre) e cada capítulo está dividido em tópicos para tornar a
apresentação mais dinâmica. Adotei essa divisão por pura comodidade e
para tornar o material mais didático, o livro não está dividido dessa
forma.
6. Sameh
Sameh era um
diretor de cinema e de clipes musicais, que estudou nos EUA. Eles se conheceram
1997, durante a filmagem de um clipe com o ator Ahmed el-Sakka. Sameh queria que a Dina
dançasse enquanto uma prece fosse aparecendo na sua pele, o que ela se recusou
a fazer, apesar de achar a ideia bonita, porque os egípcios não estavam prontos
para isso. Coisa que só alguém que estudou fora do Egito poderia pensar...
Na época ela tinha acabado de terminar um relacionamento e estava recentemente divorciada, por isso não estava a procura de ninguém e portanto também estava "distraída"... Disseram que ela estava cega, que Sameh estava claramente apaixonado por ela, mas dina não
queria saber de namorar e não percebia o que as pessoas viam na atitude do diretor.
"Ele me prometeu a terra e a lua juntos, ele me falou de amor, de filhos, de vestido branco, pureza e inocência, eu era uma princesa adormecida a ser acordada pelo beijo de um príncipe. Ele me falou de um sonho que eu jamais pensei que pudesse ser realidade. Eu sou bailarina. Não se promete amor para uma raqa'sa."
•
O
casamento
O casamento
deles foi uma grande festa, que todos os grandes artistas foram prestigiar. Até Arm
Diab cantou na festa, junto com outros cantores famosos. Mesmo Fifi Abdou, que era concorrente da Dina nessa época, estava lá
festejando e desejando tudo de bom aos noivos. E por sorte, existe no YouTube um trecho filmado dessa festa, com a Dina toda de branco... linda!
•
Gravidez
2 meses depois do casamento
Dina estava gravida. Nessa época o casal vive bem em sua rotina:
Sameh gosta de silêncio e solidão para trabalhar e Dina gosta de música, mas
eles se dão muito bem. Ele a estimula na sua carreira e a ajuda a manter a
rotina, vigiando a sua alimentação e o seu sono.
![]() |
| Essa é a única foto que encontrei da Dina grávida, e ela está dançando num show! O comentário do site original sobre o assunto é que ela estava muito feliz com a gravidez. |
Aos 5 meses de
gravidez, em 1999, Dina cai durante um ensaio de uma peça de teatro e, com medo do que possa ter acontecido com o bebê, vai para os EUA
fazer exames complementares para saber se está tudo bem.
•
Uma
doença
Está tudo bem
com ela, mas quando ela vai dar a notícia para a família, ela ouve falar pelos seus familiares que
Sameh não está bem. Ela sabia que ele tinha tido uma doença e passado por uma operação há
muitos anos, mas ele nunca explicou tudo pra ela. Dina fica preocupada e
convence Sameh a se juntar a ela em Los Angeles para ser avaliado também.
"Eu escuto palavras bárbaras "astrocitoma anaplásico", "tumor no cérebro", "quimioterapia","pouca chance de sucesso", "tentar de tudo", "inoperável", "prognóstico ruim", "estado desesperado".Dentro da sala, tão fria, o homem de uniforme branco tem nas mãos Sameh, um Sameh resumido em números e folhas de plástico pretas com manchas brancas. E ele me diz que ele vai morrer."
Enquanto eles estão nos EUA avaliando as possibilidades de tratamento para Sameh, Dina chega aos 9
meses de gravidez. E enquanto ela sente uma vida se formando dentro de si, vê
outra se esvaindo ao seu lado.
•
Ali
"Em 30 de dezembro de 1999, meu ventre se contrai. Acompanhada de Sameh, eu corro para o hospital de Santa Monica. A parteira me coloca na sala de parto, Sameh está atrás da sua câmera, ele filma o parto. As contrações são fortes, mas não dolorosas. Eu olho para o espelho no teto, regulo a minha respiração. Cinco minutos mais tarde, sai a cabeça de Ali. Uma cabecinha pequenininha coberta de cabelos negros e uma boquinha parecida com a minha.- Você deu à luz em tempo recorde!A parteira está boquiaberta. Enquanto ela me dá conselhos para o pós-parto, ela me diz que raramente ela vê uma mulher que traz uma criança ao mundo com tanta facilidade.Eu digo pra ela qual é o meu trabalho. Ela arregala os olhos. A dança do ventre é uma das melhores preparações para o parto. Ela usa todos os músculos, relaxa a bacia e dá tonicidade aos músculos. Foi o coreógrafo Hassan Khalil que disse "A dança do ventre é o movimento do ponto mais sagrado da mulher, o útero, lá onde tudo começa. O segredo da dança do ventre não está na dança, está na mulher""
•
Estado
terminal
Enquanto isso, a saúde de Sameh
se deteriora dia após dia. Mesmo assim ele consegue fazer o seu primeiro longa metragem,
Korsi fil Kolob, que recebeu alguma aclamação da crítica especializada. Nem ele nem Dina desistem, ele tenta todo e qualquer
tratamento experimental. O tumor chega a diminuir, mas logo em seguida volta a
crescer.
Um dos médicos
diz pra Dina que ele acha que eles deviam voltar ao Egito, que os tratamentos
não estão ajudando, estão apenas fazendo Sameh sofrer. Era melhor voltar para casa e tentar deixá-lo confortável.
Então, eles voltam ao
Cairo, mas a família de Sameh não quer saber de desistir e logo em seguida eles
estão cheios de médicos marcados. Chegam até mesmo a fazer uma nova cirurgia, mas o tumor
continua crescendo.
Sameh, numa última tentativa, resolve
tentar a medicina chinesa e viaja para Pequim, voltando menos de uma semana
depois arrasado. O prognóstico dos acupunturistas é de menos de um mês de
vida.
Alguns dias
depois Sameh é internado, e dois meses depois morre.
"Sameh me confiou o seu filho. Enquanto Ali estiver comigo, Sameh também estará. E por toda a minha vida guardarei um lugar no meu coração para os seus olhos amendoados e seu sorriso doce, para esse homem cheio de talento morto em sua juventude."
Aguardem o próximo capítulo!
Capítulos anteriores:
quinta-feira, 10 de maio de 2012
DesapegARTE
Ai ai... minhas férias estão acabando... isso é uma pena, mas é bom, porque o blog vai voltar com tudo! Aguardem a próxima semana! Até lá, fico apenas com a divulgação desse evento super fofo!
Venha participar também e ajudar a causa dos animais! Eu vou estar lá dançando na mostra de dança :-)
Venha participar também e ajudar a causa dos animais! Eu vou estar lá dançando na mostra de dança :-)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Kisses from Kairo - O derbakista de $6,78
Quinta-feira, 16 de junho, 2011
O derbakista de $6,78
Por Luna do Cairo
Traduzido por Lalitha
Depois de 6 meses trocando de derbakista como eu troco de roupa, eu FINALMENTE encontrei o derbakista perfeito para completar a banda. Ele é talentoso, potente, traduz apropriadamente os meus movimentos, não é preguiçoso nem mesquinho. Ele é tudo o que eu estava procurando num derbakista, e eu não poderia estar mais satisfeita. Mas, como sempre, há um problema. Os outros integrantes da banda não gostam dele. Eles dizem que ele é arrogante e que faz gestos e caras esquisitas para eles. E eles o querem fora da banda.
Senhoras e senhoras, vocês vêem contra o quê estou lutando? Caras esquisitas?! Sinto-me como se estivesse lidando com um bando de crianças!
Lidar com os músicos é uma das partes mais difíceis do meu trabalho. Eu tenho alguém para lidar com eles diretamente (isso porque não é "prestigioso" para a bailarina conversar diretamente com os músicos), mas eu ainda assim sinto os efeitos dos seus egos grandes demais e suas infantilidades. E na noite passada, eu realmente saí do sério. Nós estávamos no palco, quase terminando o show com um solo de derbake, quando, de repente, a banda parou de tocar. Eles me deixaram plantada na frente da platéia sem ter música para dançar! Eu me virei para ver qual era o problema, só para encontrá-los discutindo com o derbakista.
Eu devo ter olhado para eles com a cara mais feia do mundo, porque eles pararam imediatamente de discutir e voltaram a tocar. E foi nessa hora que eu finalmente entendi todos os momentos de fúria-no-palco que eu já testemunhei entre bailarinas egípcias e seus músicos. Para o bem do show, eu me recompus. Mas quando nós saímos do palco, eu lancei a minha fúria em cima da banda - reclamei por uns 5 minutos sem parar nem para respirar. Eu acho que joguei para fora toda a frustração acumulada nesses últimos dois anos no Cairo, e isso foi muito booooooooom. :)
Basicamente, o principal argumento da minha reclamação foi "CRESÇAM!". Eu expliquei para os músicos que existe algo chamado etiqueta de palco - que mesmo que o derbakista seja mesmo um babaca ou crie confusão, isso não é desculpa para a banda toda parar o show para discutir com ele. Nós resolvemos os nossos problemas fora do palco. Nesse ponto os músicos responderam dizendo que o derbakista "está tentando mostrar pra você como ele é uma estrela". Ao que eu tive que responder rispidamente "Que aqui não tem estrelas! Nenhum de nós é uma estrela! Michael Jackson é uma estrela. Amr Diab é uma estrela. VOCÊS não são estrelas! Quando eu me inclino para a banda no final do show, eu não vejo indivíduos, muito menos estrelas! Eu vejo um grande borrão de instrumentos - uma banda - um time. E eu faço parte desse time, então conta outra!"
E eu continuei dando a eles uma aula sobre a realidade. Nós somos artistas, eu disse a eles, e a maioria dos artistas tem egos grandes demais. Especialmente aqueles que sabem que são bons no que fazem. Vocês também têm egos. Senão não estariam incomodados com o derbakista querendo aparecer para mim como se fosse "uma estrela". Na vida e no trabalho você precisa estar preparado para encontrar todos os tipos de personalidade. Você vai encontrar o arrogante, o mesquinho, os mentirosos, os que gostam de contar vantagem, o humilde, o leal, o honesto, o desonesto, o bom, o mau e o feio. Você precisa saber como lidar com cada tipo sem interferir no seu trabalho ou no trabalho dos outros. Isso se chama profissionalismo.
E essa é a razão porque eu acho que um bacharelado em psicologia infantil deveria ser um pré-requisito para dançar dança do ventre no Cairo. :D
Dessa vez os músicos não me responderam. Eles perceberam que eu estava certa, e que eu não iria tolerar esse tipo de comportamento para com o melhor derbakista que eu pude encontrar por $6,78.
É isso mesmo, esse derbakista ganha $6,78, ou 40 libras egípcias, por uma hora de show. Isso é menos do que o salário mínimo na maioria dos estados dos EUA! É, entretanto, um pouquinho mais do que os demais músicos da minha banda ganham, e isso só porque eu estou pagando a ele o pouco a mais que ele pediu por fora, da minha parte do dinheiro (Sim, os salários dos músicos pode ser ridículo ASSIM no Cairo). E a razão pela qual eu aceitei pagar a ele o extra de $2,54 do meu miserável salário de $33,90 é porque ele é bom. Ele é também o único derbakista do nível dele que concordou em trabalhar por essa quantia ridícula.
Eu estou disposta a fazer isso porque achar um bom derbakista não é uma tarefa fácil quando o salário fixo é de apenas $4,25, ou 25 libras egípcias, para o derbakista. Apesar deles custarem um centavo a dúzia, nem todos os derbakistas são iguais. Eu vou esclarecer isso, fazendo uma descriminação dos diferentes tipos de derbakista.
Primeiro, existe o derbakista que só trabalha em orquestras pequenas, normalmente de até 5 músicos (takht). Eles são chamados acertadamente de takhatees, e não trabalham com cantores ou bailarinas.
Depois, estão os derbakistas que trabalham exclusivamente com cantores. Esse tipo de derbakista precisa ter conhecimentos específicos.
A terceira categoria de derbakistas é daqueles que trabalham com bailarinas, ou tabbal ra'assa, como se diz em árabe. Esse é o derbakista sintonizado com os detalhes da dança do ventre. Ele sabe quando tocar um DUM e quando tocar um TAK de acordo com o que a bailarina estiver fazendo no palco. E mais importante, ele sabe como traduzir os movimentos em música.
As quartas e quintas categorias de derbakistas eu mesma inventei. São eles: bons debarkistas e maus debarkistas, e eles existem em todas as 3 categorias mencionadas anteriormente.
Por conta do salário ridículo, eu só consegui trabalhar com derbakistas muito ruins até agora. Derbakistas de $4,25. Isso é mais triste do que frustrante, porque o derbakista, ou tabbal, é, sem dúvida, o integrante mais importante da banda. Ele define o andamento da música e as deixas para os demais músicos. Mais importante: ele faz a bailarina dançar! (Sem dúvida, de diversas formas, o derbakista é a bailarina). Na falta de um derbakista talentoso, a bailarina está simplesmente ferrada. Todos os seus acentos vão sumir, e o seu solo de tabla será risível.
O mais engraçado disso tudo é que todos os derbakistas de $4,25 que trabalharam comigo até agora reclamaram de mim. Eles dizem que nunca viram uma bailarina como eu - que eles não conseguem me acompanhar. DUMs e TAKs demais. Aaaaah, como eu gosto de vê-los suando tanto quanto eu num show. :D
O verdadeiro problema é que esses derbakistas ficaram preguiçosos por nunca ter tido que trabalhar duro com as bailarinas egípcias. Isso porque a maioria das bailarinas egípcias não dança de verdade e não está nem aí, mas isso é assunto para outro post. Tocar derbake para uma bailarina estrangeira é algo completamente diferente - requer um derbakista experiente em trabalhar com estrangeiras. E por isso, meus amigos, que eu quero manter o meu derbakista a qualquer custo. Desejem-me sorte. :)
terça-feira, 10 de abril de 2012
Ma liberté de danser - Cap. 5 - A última bailarina do Egito
AVISO IMPORTANTE:
Então, gente, antes de entrarmos no material relativo ao quinto capítulo do livro da Dina, quero ressaltar que apenas as partes em itálico e entre aspas são trechos traduzidos do livro (as traduções são minhas e às vezes contem alguma adaptação para facilitar o entendimento do trecho fora do texto completo), e deixo claro que não traduzi o livro inteiro, apenas algumas passagens que julguei importantes ou bonitas. Todo o resto do material é uma compilação de informações contidas no livro e de pesquisa própria minha feita na internet ou na minha biblioteca particular.
O material aqui exposto está todo dividido por capítulo (um capítulo por post, sempre) e cada capítulo está dividido em tópicos para tornar a apresentação mais dinâmica. Adotei essa divisão por pura comodidade e para tornar o material mais didático, o livro não está dividido dessa forma.
5. A última bailarina do Egito
Há alguns anos a revista americana News Week publicou uma matéria sobre a dança no ventre no Egito, dizendo que era uma arte no caminho da extinção, e que Dina era a ultima bailarina do Egito.
"Esse título me faz orgulhosa e triste. Das 5 mil bailarinas profissionais que existiam no Egito em 1957, não têm mais do que algumas dezenas hoje em dia."
Hoje em dia, se um turista quer assistir dança do ventre no Egito, dificilmente verá uma nativa, apenas estrangeiras. E há alguns anos, quando elas começaram a chegar no Egito, elas foram vistas com desprezo pelas egípcias, porque, apesar delas saberem dançar, faltava a elas compreensão da música, da letra, da cultura.
"A dança do ventre é uma linguagem. Você pode copiá-la, pronunciá-la com perfeição, mas se não a conhece profundamente, com tudo o que ela carrega de significado, de história, de cultura, de emoção e tradição, você deixa algo escapar."
Só que hoje em dia, cada mais vez mais estrangeiras sabem disso, e procuram de aprofundar nos seus estudos, estudando o árabe, os ritmos e a cultura, e Dina percebe que cada vez mais elas entendem o que estão dançando. E elas vivem a dança do ventre sem tabu, e não existem mais egípcias para rivalizar com elas.
• Histórias da dança do ventre
Desde que Salomé seduziu o rei Herodes, as bailarinas sofrem com má reputação (você pode ver uma resenha que fiz sobre a famosa peça aqui)
"porque elas representam a feminilidade em todo o seu poder, e isso dá medo. E atrai ao mesmo tempo. A dança oriental, mais de que qualquer outra dança no mundo, encarna todos os aspectos da mulher: a sedução, o abandono, o êxtase carnal, o jogo, o compartilhar, a generosidade, o parto, a liberdade. Ela simboliza a alegria e a tristeza."
No Egito a história da dança se confunde com a história do país. As alméias, mulheres de cultura e intelectuais, eram poderosas, e encantaram por séculos os palácios dos sultões otomanos. Apenas elas podiam entrar nos haréns e ensinar as mulheres os segredos da dança e das artes. Elas povoaram as fantasias dos estrangeiros orientalistas no século XVIII. Foi nessa época também que Napoleão invadiu o Egito, e seus soldados ficaram enfeitiçados pelas ghawazi (invasoras de corações), que eram bailarinas e acrobatas. Mas elas também eram pobres e sem educação, e por isso, eram prostitutas
"E dessa forma a dança que elas praticavam foi taxada de vergonhosa, uma vergonha que persegue as bailarinas até hoje."
Pois numa noite sangrenta, Napoleão, cansado do poder que essas mulheres tinham sob os seus soldados, captura 400 delas e manda decapitá-las e jogar os seus corpos no Nilo. O sultão Mohahmed Ali também as expulsa do Cairo, e elas precisam fugir até Esna, perto de Assuã. Somente em 1886 a proibição foi retirada.
"Em cada casa, para cada casamento, elas eram chamadas, pois sua presença era garantia de fertilidade no futuro."
Mas as bailarinas mudaram nesses anos de perseguição, se misturando com outras artistas vindas de outros lugares, como o Líbano e a Síria. A maior parte simplesmente sumiu.
"E o espírito das alméias se juntou com a força vital das ghawasi."
Em 1893 houve a Exposição Universal em Chicago, e pela primeira vez as egípcias chegaram nos EUA, causando furor. A mais famosa da época era uma bailarina chamada Little Egypt. A partir de então os cabarés e Hollywood se apaixonaram pela dança do ventre, criando esse nome para a dança oriental e parodiando as suas roupas, até chegarmos no “uniforme” de cinturão e bustiê.
Foi nessa época que o cinema egípcio despontou, que o Cairo ganhou seu apelido de OUM EL DOUNIA - a mãe do mundo, por conta da sua influência em todo o mundo árabe.
"Nós éramos o orgulho do mundo árabe, um farol de cultura, de arte e de liberdade, nós guiávamos toda uma civilização."
• Quando Dina começou
Ainda tinha muitas grandes bailarinas na ativa, no topo havia: Nagwa Fouad, Soheir Zaki, Fifi Abdou, Lucy e Zizi Mustafa.
Mas isso não quer dizer que era fácil, há mais de 100 anos que se falam horrores das bailarinas, no início do século XX, por exemplo, elas não podiam nem testemunhar em tribunais. Dizia-se que todas as bailarinas eram antigas moradoras de rua, que conseguiram sair da rua por conta da dança, e que por onde elas passassem você podia sentir o cheiro de enxofre.
Porém, na virada dos anos 80 para os anos 90, o público já tinha um conhecimento maior dessa arte, e sabia reconhecer as verdadeiras artistas.
"As maiores bailarinas eram respeitadas, idolatradas. E paradoxalmente, ninguém queria ver sua filha se tornando bailarina!"
Mas mesmo nessa época as coisas já tinham começado a desandar, a dança havia sido proibida na TV desde a época do Nasser, apesar das emissoras passaram os antigos filmes. E alguns movimentos foram “proibidos” na dança, como movimentos com as pernas abertas ou sugestivos. Proibiram que o umbigo das bailarinas estivesse à mostra, e limitaram a altura das saias, e a altura das fendas.
Em 1977, por exemplo, houve um atentado terrorista, feito por extremistas, onde botaram fogo em todas as casas de dança no Saïd, em Minya e em Assiout. Às vezes homens armados iam a casamentos para impedir que as bailarinas dançassem. Enquanto a polícia fazia batidas surpresa para verificar se as bailarinas estavam de acordo com os códigos de vestimenta.
"Eu não me dei conta que as coisas estavam mudando. Mas, em 1995, quando Nagwa Fouad se aposentou, de repente percebi que não éramos mais do que 3 bailarinas. Pouco a pouco, insidiosamente, a dança do ventre tinha começado a morrer, e eu não tinha reparado."
As bailarinas foram se aposentando, rumores de que homens ricos sauditas estavam pagando para que elas abandonassem os palcos correram soltos, muitas bailarinas passaram a usar véu. Dina não acredita na teoria dos sauditas, porque segundo ela nunca a ofereceram dinheiro para parar de dançar.
• O desaparecimento das bailarinas egípcias
Segundo ela, o que precisa ser entendido é que desde os anos 70 o Egito foi mudando. Os homens saíram do país em busca de novas oportunidades ligadas ao petróleo, e quando voltaram trouxeram com eles uma cultura muito mais rígida. Com isso, as artes também foram mudando. O cinema passou a seguir normais mais rígidas. As bailarinas começaram a aparecer nos filmes apenas como ladras, destruidoras de lares. E segundo a Dina, é por isso que quando ela faz uma vilã num filme ela recusa que a personagem seja uma bailarina. Isso porque os egípcios têm dificuldade de distinguir entre o cinema e a realidade.
"E as jovens ficaram com medo. Elas não queriam mais dançar."
Mesmo a palavra bailarina passou a ser um termo pejorativo. As pessoas a falam baixo, envergonhadas. Ninguém quer essa palavra associada ao seu nome.
Para melhor ilustrar essas mudanças e o estado atual da dança no Egito eu sugiro o documentário francês "Les danseuses du Caire", onde vocês vão encontrar a tradução do que é falado nesse post do blog:
Kisses from Kairo - "Les danseuses du Caire"
Aguardem o próximo capítulo!
Capítulos anteriores:
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Nadia Gamal (parte 2)
Depois de muito tempo sem falar em Nadia Gamal, resolvi retomar o tempo perdido! Já que estamos falando de divas por aqui por conta do livro da Dina, não podemos deixar Nadia cair no esquecimento!
Como vocês podem ler na pequena biografia que escrevi dela aqui no blog, ela nasceu no Egito e foi lá que começou a sua carreira. Então, nada mais justo que façamos um post exclusivo sobre os seus anos no Egito!
E o vídeo mais antigo que se encontra de Nadia dançando é o Oriental Mambo Routine, onde, apesar de ser ainda muito muito novinha, Nadia já demonstrava muito carisma e personalidade:
Vale a pena notar os seus giros, que são tão característicos, e que ela usará a vida inteira, e suas mãos!!! Fazendo lindas molduras com os braços... sempre muito expressiva!
Nadia chegou a participar de diversos filmes no Egito antes se mudar para o Líbano:
Aqui vale reparar nos lindos cambrés que ela usa... e que vai continuar usando! Nadia ainda era capaz de fazer lindos cambrés mesmo depois dos 50 anos. E, claro, vale reparar no seu poderoso quadril, que ainda está se desenvolvendo nesse ponto da sua carreira.
E aqui está Nadia num outro filme, do ano seguinte:
Já dá para perceber como o seu quadril se desenvolveu de um ano para o outro... e os braços continuam muito expressivos... mas a sua expressão ainda vai crescer muito!
Nesse outro filme ela só aparece nos 10`40``, tocando snujs no meio de várias outras bailarinas, que fazem um coro para ela e o cantor.
É lindo ver como Nadia vai crescendo a cada filme!
Nesse filme, Nadia divide o palco com outra bailarina, Loula Abdo:
Vale ressaltar que apesar de ser mais nova que suas companheiras de cena, Nadia não fica para trás! Ah, e os adesivos para cobrir os umbigos das bailarinas são ótimos kkkk
Vale reparar também nas suas ondulações, como elas parecem começar com um movimento do diafragma, deixando uma marca registrada da Nadia.
Ah, agora esse vídeo é uma preciosidade! Primeiro, nós temos Nadia dançando Jazz, o que por si só é raro, mas além disso temos Khristo Kladaxx, bailarino e coreógrafo da Badia Basabni, que treinou não só a Nadia, mas também outras bailarinas da época, como Samia Gamal e Tahia Carioca!
Pessoalmente eu curto mais a Nadia dançando Dança Oriental... mas é muito legal ver esse tipo de vídeo!
E para finalizar, um clássico! Zenouba! Uma linda música com uma bailarina já excepcional! Uma parceria entre bailarina e cantora que ainda vai durar muitos anos....
terça-feira, 3 de abril de 2012
Kisses from Kairo - Encontrando Emprego no Cairo -- A Verdade Nua e Crua
Segunda-feira, 13 de junho, 2011
Encontrando Emprego no Cairo -- A Verdade Nua e Crua
Por Luna do Cairo
Traduzido por Lalitha
Para muitas bailarinas de dança do ventre do mundo inteiro, dançar no Cairo é o sonho das suas vidas. Não importa se é a oportunidade de dançar todas as noites ao vivo com uma orquestra ou a oportunidade de ter reconhecimento na comunidade internacional da dança, a dança do ventre no Cairo atrai todo ano centenas de mulheres ao Egito.
Apesar de todas nós fantasiarmos com isso, a verdade é que a dança do ventre no Cairo não é para qualquer uma. É preciso que você seja um tipo específico de mulher - fisicamente, emocionalmente e intelectualmente - para ter sucesso como bailarina. E não é sempre o tipo de mulher que quer isso. Como Layla Taj, uma bailarina que vive em Nova Iorque e que tem alguma experiência em dançar no Egito, disse no seu site "O Cairo escolhe você. Você não escolhe o Cairo." http://www.laylatajdance.com . Com tudo o que eu vi até agora, isso parece ser verdade. Todo ano, centenas de bailarinas surgem no Cairo, determinadas a tornar realidade o seu sonho de dançar aqui. Algumas chegam até a vender as suas casas, suas posses, e deixam seus entes queridos para trás. A maioria volta para casa desapontada e desiludida. Outras ficam no Cairo por anos, na esperança de que um dia o seu sonho se torne realidade. Com isso em mente, eu montei um guia SUPER REALISTA sobre como achar emprego no Cairo, no qual vamos examinar as qualidades da bailarina estrangeira que tem mais chances de ter sucesso. Por favor, lembrem que esses comentários são baseados na minha experiência pessoal e no que pude observar nos últimos dois anos e meio.
1. Talento. Para conseguir um emprego no Cairo, a bailarina estrangeira de dança do ventre precisa ter talento. Ela deve ter boa técnica, expressão e conhecimento sobre como montar um show. Não importa qual seja o seu estilo pessoal de dança, a bailarina precisa ser completa. Por quê? Porque se os empregadores estão saindo da norma, contratando uma bailarina estrangeira ao invés de uma egípcia, é porque ela deve ter algo para oferecer que as egípcias não têm. Porque eles não estão apenas tirando o emprego das suas companheiras egípcias, eles estão pagando pesadas multas todo mês por contratar estrangeiras. Então eles vão querer algo em troca pela inconveniência.
2. A "Aparência Certa". Para conseguir um emprego no Cairo, a bailarina estrangeira de dança do ventre precisa ter a aparência certa. No Ocidente, nós não temos realmente uma "aparência certa" para a dança do ventre. A dança do ventre no Ocidente é sobre a irmandade feminina, e nós acreditamos que a beleza tem diversas formas, vem todos os tamanhos, cores e idades. Entretanto, no Egito, usualmente há uma noção bem limitada do que é a beleza ideal feminina. Normalmente, se um egípcio pensa que Fulaninha é linda, 99% dos egípcios vai concordar. O oposto também é verdade. Isso é muito triste, porque elimina muitas bailarinas talentosas que não atendem aos padrões egípcios de beleza, quaisquer que eles sejam. De muitas formas, isso é injusto. Mas a dança do ventre é, de qualquer jeito, um entretenimento, e na indústria do entretenimento, a beleza conta tanto quanto o talento, se não mais. Então, dado que existem muitas mulheres competindo por alguns empregos, ter a "aparência certa" é, portanto, um fator determinante para quem vai trabalhar como bailarina no Cairo.
3. Paciência. Para conseguir um contrato como bailarina de dança do ventre no Cairo é preciso muita paciência. Apesar de um punhado de bailarinas ter conseguido contratos no primeiro mês em que chegaram ao Cairo (por conta de contatos (muito) pessoais), a maioria leva pelo menos um ano até ser contratada. Isso acontece porque, primeiro, não existem muitos locais com licença para contratar bailarinas estrangeiras, e, também, porque não existe muita rotatividade no mundo da dança do ventre do Cairo. Os empregadores costumam renovar os contratos das suas bailarinas por 3 anos, ao invés de contratar bailarinas novas. Bailarinas aspirantes precisam, portanto, ser pacientes. Elas precisam estar preparadas para ficar sentada em casa a maior parte da semana, sabendo que as bailarinas já contratadas estão dançando todos os dias. Elas também não devem desanimar com todas as promessas falsas e vazias que as pessoas da indústria fazem. Por exemplo, um cantor ou agente talentoso vai se apaixonar por uma jovem aspirante a bailarina, e vai prometer o mundo para ela. Ele jura que vai conseguir um contrato nesse ou naquele hotel, mas na realidade, ele não tem como conseguir isso. Normalmente, ele só quer se "divertir" um pouco. Então ele joga com a vontade dela de dançar no Egito. Quando a bailarina descobre que era tudo um jogo, ela se frustra, muito provavelmente sente vontade de desistir, especialmente depois que isso acontece repetidas vezes. É por isso que depois de um ano no Cairo, eu apelidei o Egito de "a terra das promessas vazias". A bailarina de sucesso é aquela que vê através desses joguetes, não se sente muito frustrada, e espera pacientemente até encontrar oportunidades de verdade.
4. Casca Grossa. Não importa quão bonita e talentosa é uma bailarina, se ela não for casca grossa, ela não vai ter sucesso no Cairo. Ser casca grossa no sentido de não deixar que a inveja, as críticas e os insultos das pessoas te desanimem. Assim como em outros ramos da indústria do entretenimento, a competição é grande e a inveja é um fato. Não haverá muitas outras bailarinas ou professores que ficarão felizes com o seu sucesso. Pelo contrário, muitos tentarão te destruir a cada passo do caminho. Eles vão inventar diversas fofocas sobre você, e te acusar de coisas (ou pessoas) que você nunca fez (N.T. aqui Luna usa um trocadilho que não dá para traduzir, mas ela sugere que vão te acusar de dormir com algumas pessoas). Eles vão tentar acabar com a sua reputação e destruir a sua auto-estima. Então, se você é o tipo de pessoa que se preocupa demais com o que dizem e pensam de você, você nunca vai sobreviver no mundo da dança do ventre do Cairo. Mesmo que você tenha talento, seja bonita, e tenha uma chance de dançar aqui, é quase impossível NÃO esbarrar com esse tipo de comportamento. (O que eu mais gostaria de fazer era ilustrar o que descrevi com exemplos da minha própria experiência e da experiência de outras bailarinas, mas eu vou me conter e não vou transformar esse blog numa coluna de fofocas.)
5. Falar árabe. Sim, falar a língua local e falá-la bem é muito importante para o sucesso de uma bailarina estrangeira no Cairo. A bailarina precisa ser capaz de se comunicar efetivamente com músicos, agentes, gerentes de hotel, que em sua maioria não falam inglês e que vão tentar tirar vantagem da aparentemente inocente mulher estrangeira. Falar árabe minimamente fluentemente (não apenas izayyak? e mashy) (N.T.: izayyak - como você vai? mashy - tudo bem!) é necessário para ser compreendida, e, mais importante, ser respeitada. Os egípcios desse meio precisam entender que a bailarina é inteligente e consegue lidar com eles na sua própria língua e no mesmo nível.
6. Sorte. E por último, mas não menos importante, falta a sorte. Eu mencionei anteriormente Layla Taj pela citação "O Cairo escolhe você. Você não escolhe o Cairo." Às vezes uma mulher tem tudo para ter sucesso como bailarina de dança do ventre no Cairo, mas por alguma razão inexplicável, ela simplesmente não consegue fechar um contrato. Talvez ela não tenha conhecido as pessoas certas, ou talvez ela não estivesse lá quando a oportunidade apareceu. As razões podem ser várias, mas ela nunca vai saber. Ao mesmo tempo, outra bailarina que esteja passando por dificuldades para conseguir um contrato pode inesperadamente estar no lugar certo e na hora certa.
Agora que eu já expliquei o que é necessário ter para trabalhar como bailarina de dança do ventre no Cairo, eu vou dar uma passada nas coisas que não ajudam.
1. Contatos. Enquanto sempre ajuda conhecer pessoas do meio que possam te indicar, conhecer o Presidente do Egito não vai te ajudar se os gerentes não acharem que você tem a ver com o negócio deles. Eu já vi muitos casos de estrangeiras aspirantes a bailarinas que ficam muito amigas com alguns organizadores de festivais, alguns cantores e até mesmo de algumas bailarinas egípcias, achando que essas pessoas vão conseguir um contrato para elas. Isso nunca aconteceu. No final do dia, o aparentemente poderoso organizador de festival não pode convencer o gerente de um cruzeiro no Nilo a contratar uma bailarina que ele não quer. Especialmente se ele não estiver precisando de novas bailarinas.
2. Anos de experiência. Quando estiver procurando por um contrato no Cairo, nenhum possível empregador vai perguntar qual é o histórico profissional dela. Ele não vai perguntar se ela é famosa no seu país, há quantos anos ela dança ou se ela é professora. No Cairo, ninguém se importa com isso. Gerentes de hotel ou de cruzeiros só querem saber se a bailarina pode montar um bom show e ser linda. Isso conta muito mais que experiência.
3. "Conhecer" o gerente - um pouco intimamente DEMAIS. Eu acho que você entendeu o que eu quis dizer. Nós sempre escutamos falar das bailarinas que chegaram aqui e e fizeram "amizade" com os donos e gerentes. Isso COSTUMAVA ser um atalho para conseguir um contrato, mas não funciona mais hoje em dia. Tem tanta competição hoje que "ser amiguinha" do gerente não garante um contrato nesse hotel ou cruzeiro. Especialmente se tiver candidatas mais fortes para a mesma posição por aí. Hoje em dia, os gerentes tiram vantagem da vontade das bailarinas estrangeiras de conseguir trabalho, usando-as, prometendo o mundo para elas, e depois não cumprindo as suas promessas. E no final, é a bailarina que perde. Sua reputação fica arruinada, e as pessoas respeitáveis do meio vão evitá-la. Na verdade, o melhor caminho para conseguir um contrato e manter o seu respeito por si mesma é não virar vítima desses predadores da indústria.
Eu escrevi essas observações não para desencorajar, mas para ser realista sobre o que é necessário para dançar no Cairo. Todos merecem uma chance de correr atrás dos seus sonhos. Mas eu acho importante que as bailarinas saibam no que estão se metendo. Elas devem saber qual é a sua probabilidade de sucesso, porque elas fazem grandes sacrifícios correndo atrás desse sonho. Para muitas é uma aventura que pode acabar com a sua vitalidade, felicidade, amor pela dança, e até mesmo entusiasmo pela vida. Realmente, muitas aspirantes a bailarina no Cairo admitiram que se alguém tivesse dito a elas o que as aguardava, elas teriam pensado duas vezes antes de desistir de tudo para dançar no Cairo. Para outras, é uma jornada que molda o seu caráter e dá força. E para as poucas afortunadas que conseguem, bom, seus desafios são muitos, e o menor deles é se manter verdadeira consigo mesma.
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