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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Kisses from Kairo - A Feminista Frustrada



Domingo, 2 de outubro de 2011

A Feminista Frustrada
Por Luna do Cairo
Traduzido por Lalitha

Eu sou uma feminista frustrada. Eu sempre fui feminista, de um jeito ou de outro, mas a parte “frustrada” é bem recente. Isso tem muito a ver com o lugar onde vivo e com o que eu faço. Por sorte ainda não atingi o ponto de não voltar mais atrás. Eu ainda depilo minhas pernas e axilas e uso maquiagem :-) E eu ainda sou hétero (seja lá o que isso realmente significa). Mesmo assim odeio os homens. Bom, a maior parte deles. Não é que eu odeie os indivíduos que por acaso são homens. Eu só odeio a “macheza” deles – o seu “machismo” – ou o que quer que faça com que eles subjuguem as mulheres.

Correndo o risco de dizer o óbvio, eu vivo numa sociedade ultra-patriarcal. Isso significa que os homens têm a última palavra em quase todos os aspectos da vida aqui. Eles são os líderes, os que fazem as leis, os que as mantêm e os que as quebram. Na verdade, é assim na maior parte do mundo, mas é um pouco mais exagerado em lugares como o Egito do que nos EUA ou na Europa Ocidental. Isso não quer dizer que o Egito está no mesmo nível que a Arábia Saudita, Irã ou Afeganistão. Mesmo assim a misoginia tem o seu lugar cativo aqui. E ela toma diversas formas: mutilação genital feminina (extremamente comum); violência doméstica (muito comum); assédio sexual (sem comentários); crimes de honra (bem mais raros, mas acontecem de vez em quando); leis que regem o divórcio, adultério e outros status sociais (que evidentemente favorecem os homens); e a sempre presente escola de pensamento do “lugar da mulher é em casa” que tanto os homens E as mulheres seguem. Novamente, todas essas coisas existem em outros países, mesmo no Ocidente – é só que elas acontecem muito mais frequentemente e com muito menos estigma nesse pedacinho do mundo.

(Muitos justificam esse fenômeno dizendo que isso é feito para “proteger” e “dar poder” às mulheres. As pessoas que usam esses argumentos são chamadas de apologistas. Eles são mestres em fazer o pior dos males parecer benigno.)

A misoginia também aparece nas duas categorias nas quais a misoginia mais comum divide as mulheres. Elas são “santas” ou “putas”. Funciona assim. Usa o véu. Santa. Não usa véu. Puta. Só tem amigos do mesmo sexo. Santa. Tem amigos de diversos gêneros. Puta. É uma mãe que só fica em casa. Santa. É bailarina. Puta. Não fez sexo antes do casamento. Santa. Fez sexo antes, durante e depois do casamento. Puta. Não se casou antes dos 30. Senhora velha com problemas sérios. Entendeu? Bom. :-) Então. Em qual categoria eu me encaixo? Vou te dar uma dica. Não é “santa”. :)

Você provavelmente deve estar pensando no que isso tem a ver com dança do ventre. A resposta é tudo. A dança do ventre supostamente é para ser uma dança de mulheres. Feita por mulheres para mulheres. Essa foi uma das coisas que mais me atraíram nessa dança. Mas aqui no Egito, são os homens que controlam e ganham dinheiro com a dança. Eles são os agentes, e os gerentes de hotéis e de talentos. Eles são os músicos e a maior parte dos consumidores.

A parte econômica da dança do ventre parece ser um pouco diferente no resto do mundo. Nos EUA, Europa, Rússia e Ásia, são as próprias bailarinas que estão no comando de todos os aspectos da dança. Elas não fazem apenas as performances.  Elas organizam os eventos, são agentes, e em muitos casos, são a maioria dos consumidores. São mulheres ajudando outras mulheres, e elas lucram com a sua dedicação a essa arte.

Por favor, não me entendam mal. Eu não tenho nada contra os homens cooperarem com as mulheres para ajudá-las a serem bem sucedidas. Entretanto, a palavra-chave aqui é “cooperar”. Infelizmente, a cooperação às vezes dá lugar à exploração – tanto financeira quanto de outras formas. Para nós, bailarinas que insistimos em trabalhar aqui, esse problema vem com o lugar. Não acontece sempre, e existem vários homens de respeito no ramo, mas estamos fadadas a encontrar esse problema em algum ponto ou outro das nossas carreiras. Nesse ponto, é uma questão de qual tipo de exploração nós decidimos tolerar. E isso é uma coisa individual. Pessoalmente, eu prefiro ser roubada a ser passada a mão, seduzida a ir para a cama com alguém, ou mesmo ficar ouvindo algum pervertido falar sobre assuntos inapropriados. Então eu escolho as pessoas com quem eu lido de acordo com isso.

Mesmo assim, eu frequentemente me pego desejando que mais mulheres pegassem as rédeas do lado comercial da dança do ventre. Algo me diz que se elas fizessem isso, as coisas seriam melhores. Só outra mulher pode entender realmente o valor dos nossos shimmies. Só outra mulher pode apreciar de verdade a coragem que é necessária para subir no palco “seminua” e se balançar, especialmente numa sociedade que faz cara feia para isso. Só outra mulher pode apreciar de verdade todo o dinheiro, tempo e energia que consumimos para aprender e se apresentar nessa dança.

Para aqueles sociólogos que sugeririam que não existe algo como uma “arte feminina” porque não existe gênero, eu sugeriria que eles olhassem os fatos. Está muito bem estabelecido que os movimentos da dança do ventre são derivados dos movimentos naturais que as MULHERES fazem quando as MULHERES estão GRÁVIDAS. As ondulações abdominais, os shimmies, os shimmies de abdômen, os impulsos pélvicos etc. E da última vez que chequei homens não ficam grávidos. Alguém gostaria de provar que estou errada? ;-)

Outra evidência de que essa é uma dança de mulheres é que não há papel específico para o homem na dança do ventre. Diferentemente do balé, da salsa, e das milhares de danças folclóricas que existem ao redor do mundo, não existem “movimentos masculinos” na dança do ventre. Então, quando homens fazem dança do ventre, eles incorporam uma persona feminina. Eles se transformam em mulheres (nem que seja pela duração do show). E não há necessariamente nada de errado nisso. Só estou dizendo.

E o mais interessante é que um relativamente famoso professor de dança do ventre egípcio uma vez me disse que não há como um homem realmente dançar dança do ventre. Segundo ele, um homem pode apenas “imitar” a dança porque ele não tem um útero, que é a fonte de inspiração artística da mulher. (Eu pessoalmente “vejo” a dança na minha cabeça quando escuto a música, não sinto no meu útero, mas isso é só eu :D). O que quer que você pense sobre a relação entre inspiração artística e o útero, eu acho que o que ele queria dizer é que a dança do ventre é essencialmente feminina. Só as mulheres podem entendê-la direito, porque isso requer aquela essência feminina que os homens não têm (a maioria deles pelo menos). Se é ou não o útero a fonte dessa essência aí é outra discussão.

Dadas todas as evidências de que a dança do ventre é uma dança de mulheres, me parece muito esquisito que sejam os homens a controlar todos os seus aspectos. Mas esse é um mundo de homens no final das contas, e quase tudo é controlado por eles (até mesmo a esmagadora maioria dos ginecologistas egípcios são homens!).

Um dos resultados dessa indústria da dança do ventre ser controlada por homens é que as mulheres acabam por brigar entre si (e não estou falando daquelas briguinhas que acontecem na nossa comunidade de dança do ventre dos EUA). Estou falando de uma chamar a polícia para denunciar a outra, de destruir e roubar as roupas da outra, de espalhar boatos para destruir a carreira da outra, e fazer coisas (e “pegar” pessoas :O ) que elas não deveriam fazer para evitar que outra bailarina “roube” o seu trabalho.

Por mais feminista que eu seja, é difícil não ser arrastada por essa onda de ódio feminino em algum momento. Eu percebi isso quando outro dia me peguei me referindo a outra bailarina como uma “sharmoota”. Isso significa “prostituta” em árabe egípcio. Eu me horrorizei quando ouvi essa palavra saindo tão facilmente da minha boca. Não porque ela não seja de fato uma prostituta, mas porque a palavra é tão carregada de culpa. Ainda mais em árabe do que em inglês (N.T.: ou português). E no fundo, essa sharmoota pode não merecer a condenação que a palavra implica. Ela, assim como milhares de outras mulheres, é analfabeta e destituída de talento. Portanto ela não tem outro meio de sobreviver que não seja usando do seu corpo das mais variadas formas. Isso faz dela uma vítima e uma sobrevivente, não uma sharmoota.

Eu não vou continuar falando sobre as diversas revoluções que precisam acontecer nessa parte do mundo, mas tudo o que vou dizer é que só a realidade que eu observo todo o dia no meu ramo de trabalho é uma razão mais que suficiente para que eu me transforme numa “feminazi”. Infelizmente, eu não vejo que as coisas vão mudar tão cedo. Parece que ficarei frustrada por um bom tempo.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ma liberté de danser - Cap. 8 - Hossam


Por Lalitha

AVISO IMPORTANTE:

Então, gente, antes de entrarmos no material relativo ao oitavo capítulo do livro da Dina, quero ressaltar que apenas as partes em itálico e entre aspas são trechos traduzidos do livro (as traduções são minhas e às vezes contem alguma adaptação para facilitar o entendimento do trecho fora do texto completo), e deixo claro que não traduzi o livro inteiro, apenas algumas passagens que julguei importantes ou bonitas. Todo o resto do material é uma compilação de informações contidas no livro e de pesquisa própria minha feita na internet ou na minha biblioteca particular.

O material aqui exposto está todo dividido por capítulo (um capítulo por post, sempre) e cada capítulo está dividido em tópicos para tornar a apresentação mais dinâmica. Adotei essa divisão por pura comodidade e para tornar o material mais didático, o livro não está dividido dessa forma.


8 - Hossam

          Vídeos?

Em 2002, Dina está em casa, seu marido está no trabalho, quando dizem pra ela que algo muito ruim aconteceu. Ela ainda não sabe do que se trata, só sabe que é grave.

"Tem vídeos. Indecentes. Eu estou surpresa, não entendo, procuro saber. Vídeos? Por Allah, vídeos de mim? De quê? Já sei! Alguém deve ter me filmado enquanto eu ia ao banheiro, com certeza. Uma câmera de segurança, ou algo assim. Meu deus, do quê se trata?"

          O escândalo

Nos jornais todas as manchetes só falam do escândalo. O empresário Hossam Aboul Fatouh foi preso, acusado de lavagem de dinheiro, e quando revistaram o seu apartamento acharam muitos vídeos. Vídeos de mulheres fazendo sexo com ele. E Dina estava entre elas.

Dina foi casada com ele 12 anos antes (1990), mas o casamento foi escondido. E eles se separaram logo em seguida. Isso foi possível porque no Egito os casamentos são considerados como contratos privados, podendo ser públicos ou não. Dina, por exemplo, já foi casada diversas vezes de forma privada. (Você pode ter uma idéia de como funcionam esses contratos nos livros da Trilogia do Cairo)

          Fugindo

Dina não aguenta a pressão da mídia e resolve que vai visitar o irmão, Samir, em Atlanta. Ela precisa de um tempo para respirar.

Os jornais cobrem a sua viagem como se ela estivesse fugindo da polícia e por isso tinha saído às pressas do Egito.

          Voltando para casa

Mas Dina sabe que precisa voltar e limpar o seu nome, porque sabe que ela não fez nada de errado. Afinal, ela havia feito sexo com o seu marido, portanto não era ilegal.

Com toda a confusão e publicidade negativa, todos os seus amigos somem de uma hora pra outra. Ninguém quer ficar perto dela ou ser associado com o seu nome. Seu atual marido pede divórcio sem nem conversar sobre o assunto.

Dina fica tão nervosa com tudo isso que seus cabelos caem (o que gera mais uma fofoca, dessa vez de uma doença desconhecida).

          Entendo tudo

Quando ela chega ao aeroporto do Cairo, a polícia está lá esperando por ela, como se ela fosse uma criminosa, para deleite dos jornais sensacionalistas. Mas ela sabe que não vão prendê-la, porque Hossam já havia dito que os filmes eram da época que eles eram casados e confirma o casamento escondido.

Ela sai do aeroporto e vai direto para a delegacia, onde explicam toda a situação pra ela. Outras mulheres também foram filmadas por Hossam. Assim como elas, Dina é uma vítima. E Dina aproveita para prestar queixa contra o ex-marido por tê-la filmado sem o seu consentimento.

O desfecho desse processo da Dina contra Hossam é incerto, pois as fontes (jornais da época e o livro) divergem. Segundo Dina, ela ganhou a ação contra o marido, e ele teve a pena aumentada por conta do caso, mas os jornais dizem que Dina desistiu do processo por ter revelado que consentiu a filmagem. Levando em consideração como é o jornalismo egípcio, é realmente difícil ter certeza de que o que eles publicam é realmente verdade.

De qualquer forma, nesse momento o país inteiro só fala disso. Cópias do vídeo da Dina podem ser encontradas até em bancas de jornal. Mesmo em outros países árabes o escândalo chega às primeiras páginas.

Dina se refugia na casa do pai e entra em depressão.

          Hajj

Sentindo que só deus pode ajudá-la, Dina resolver fazer o Hajj, a peregrinação a Meca, que é um dos pilares do islamismo, sendo uma obrigação ou objetivo de vida para os muçulmanos fazê-la pelo menos uma vez na vida.

Os jornais deitam e rolam com a notícia, aproveitando para contar de outros artistas que também fizeram o hajj à toa, porque não mudaram a sua forma de viver quando voltaram, pois não se arrependeram dos seus pecados (aqui o que eles referem como pecado é trabalhar como ator/atriz, cantor/cantora e, claro, bailarina). O governo saudita chega a tentar impedir que ela faça a peregrinação, não concedendo o visto, mas acaba cedendo em cima da hora. Dina vai a Meca acompanhada de sua mãe (isso segundo os jornais, ela não menciona esse detalhe no livro).

"Sobre a minha cama está minha roupa de peregrina. Eu parto essa noite, para a terra santa do islã. Eu vou à Meca.
Eu me viro para Allah. O único que sabe o que se passa no meu coração, na minha alma. Aos olhos dos homens e mulheres, eu me sinto nua, suja na minha honra e dignidade.
Eu canto os rakaat, as preces, e me entrego a Deus, liberando minha alma dos seus tormentos. Aqui, eu sou uma peregrina entre peregrinos, uma filha do islã como as outras, não sou mais a Dina mas apenas uma muçulmana... Ninguém me olha e ninguém me julga..."

          Voltando a vida

Quando ela retorna da peregrinação, os jornais se enchem novamente de fofocas, como Dina ainda está deprimida e tem medo de sair em público, é dito que ela passou a usar véu. Dizem até mesmo que ela abandonou a carreira de bailarina e que vai passar a receber pessoas em casa para estudar o corão (prática bastante comum aparentemente).

Dina passa a ter crises de pânico e não consegue nem mesmo sair para desdizer as fofocas a seu respeito. Porém, ela ainda possui alguns amigos, como os atores Ahmed el-Sakka e Samir Sabri, que vão atrás dela e a ajudam a sair de casa, ver pessoas, e que querem voltar a trabalhar com ela. Uma bailarina que tinha sido muito famosa, Sahar Hamdi, que parou de dançar para usar o véu, também fica ao seu lado. (foi ela que Dina foi substituir quando voltou de Dubai, detalhes no Cap.4 - Se tornando Dina)

Um dia, um número desconhecido aparece no celular de Dina, e ela não tem coragem de atender. É uma mulher, que vai até a casa dela e deixa um recado, assinado Nanou. Ela é empresária, dona de lojas de roupa, famosa entre a alta sociedade cairota. Dina resolve telefonar pra ela.

"- Dina, eu vou ficar ao seu lado, para te ajudar a atravessar esse momento difícil. Você foi falsamente acusada, foi pega no meio de um escândalo onde você não é responsável por nada. É uma injustiça, e eu detesto injustiças. E depois.... depois, você decidirá se vamos continuar amigas ou não. Mas, por enquanto, deixe-me te ajudar."

Nanou fica ao lado da Dina, a ajuda a sair de casa, a voltar a frequentar algumas festas, ver pessoas importantes. Nos jornais, as notícias já estão saindo de que foi o marido dela que a enganou, que eles eram casados na época da filmagem. Aos poucos Dina percebe que os olhares direcionados a ela não são mais de desprezo, mas de pena e de compreensão.

Dina percebe também que ela foi usada como bode expiatório, nesse momento a sociedade egípcia está passando por uma onda de denúncias de corrupção, os homens de dinheiro e o estado estão se misturando demais, e para distrair o povo, os vídeos encontrados com Hossam foram perfeitos. (lembrem que nessa época Mubarak ainda estava no poder)

Aos poucos Dina volta a dançar, mas no início só no exterior. Nanou insiste que ela volte a se produzir no Egito. Assim, ela toma coragem e cede uma entrevista a Hala Sarhan, host de um programa de auditório muito famoso.

"Sob a luz escaldante dos projetores, Hala me faz perguntas. E eu conto tudo, como fui enganada por um homem que abusou da minha confiança. Quando as luzes se apagam, eu me sinto como uma casca vazia. Eu dei tudo o que tinha para dar, eu disse tudo, me deixei levar com toda sinceridade."



Nanou ajuda Dina a abrir uma loja de roupas femininas, e assim ela consegue manter contato com outras mulheres e perceber mais uma vez que as pessoas olham pra ela de forma diferente do que antes. Isso inclusive dá origem a mais fofocas no jornal, de que Dina largou a dança para virar empresária.

          Sequelas

Mas esse escândalo afetou também a família de Dina. E seu pai ficou extremamente abatido com todo o ocorrido. Dina vê que ele vai definhando aos poucos, até que um dia ele sofre um AVC e morre.

Dina entra novamente em depressão, e pensa seriamente em se matar.

          Dando a volta por cima

"Sinto minhas forças se recuperando. Sei que apesar de tudo, depois de tudo o que passei, depois da minha infância sofrida, depois de toda a concorrência na dança, a morte de Sameh, após a infâmia do escândalo, o que é que pode me destruir? Nada."

Então ligam para Dina e oferecem a ela um trabalho no Egito. Ela está tão sedenta para voltar a trabalhar que aceitaria não importando qual fosse, mas é a televisão do estado que a chama para pegar um papel numa série. Praticamente serviço público. E ela então sente que as pessoas finalmente entenderam que ela é inocente, já que até o governo a está chamando para trabalhar. Logo depois ela volta a entrar em cartaz no Egito.

Aguardem o próximo e último capítulo! 

Capítulos anteriores:

Para maiores informações e notícias da época vejam:


Dina runs-off to Paris after pornographic videotapes of her were found in a businessman’s apartment

Belly dancer Dina denies fleeing Egypt after scandal and admits marriage to businessman

Dina's porno films for 100 Egyptian pounds a piece at local newsstands in Egypt

Dina accuses ex-husband of making pornographic films without her knowledge

Dina to complete the fifth pillar of Islam...Hajj

Dina's Hajj seen as an escape and a confession of guilt

Dina wears a Hijab ending her dancing career

Dina leaves dancing business for the 'real business'

Dina shocks everyone with her latest confession

Dina making it impossible for anyone to understand anything

Hair disease behind Dina’s temporary Hijab

Dina reveals all in her first televised interview

DVD - The Bellydancers of Cairo

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ma liberté de danser - Cap. 7 - Liberdade


Por Lalitha

AVISO IMPORTANTE:

Então, gente, antes de entrarmos no material relativo ao quinto capítulo do livro da Dina, quero ressaltar que apenas as partes em itálico e entre aspas são trechos traduzidos do livro (as traduções são minhas e às vezes contem alguma adaptação para facilitar o entendimento do trecho fora do texto completo), e deixo claro que não traduzi o livro inteiro, apenas algumas passagens que julguei importantes ou bonitas. Todo o resto do material é uma compilação de informações contidas no livro e de pesquisa própria minha feita na internet ou na minha biblioteca particular.

O material aqui exposto está todo dividido por capítulo (um capítulo por post, sempre) e cada capítulo está dividido em tópicos para tornar a apresentação mais dinâmica. Adotei essa divisão por pura comodidade e para tornar o material mais didático, o livro não está dividido dessa forma.


7 - Liberdade

          Rita

Mulheres usando o Niqab

Apesar de tudo, Dina acredita na liberdade. Quando sua irmã Rita decidiu passar a usar o niqab e isso veio a público, foi um choque para a imprensa. Ninguém podia entender como uma bailarina poderia ter uma irmã que usasse o niqab. Não fazia sentido.

Mas Dina respeita a decisão da sua irmã, que foi tomada depois de refletir muito. Rita passou a usar o niqab pouco depois de acompanhar o sofrimento da Dina durante a doença seguida da morte de Sameh.

"Claro, é verdade que não posso dizer que essa decisão me deixou feliz. Não consigo entender porque uma mulher pode decidir colocar um véu entre ela e a sociedade. Uma do lado da outra, ela com o seu véu negro e eu com minhas roupas curtas e coloridas, invocamos a imagem do yin e do yang, aquelas que são opostas em tudo.
Se a minha liberdade é de dançar, a da minha irmã é de usar o niqab. Ela diria o mesmo de mim."

          A liberdade da mulher

Dina acredita que a vida é muito curta para não ser livre. Mas, infelizmente, no Egito não se sabe mais o que significa a palavra liberdade.

"Porque, aqui, quando se diz "liberdade", alguns entendem "lassidão", "libertinagem", como se se tratasse de agir como uma mulher da vida. Eles não entenderam nada. A liberdade, certamente não é o direito de fazer qualquer coisa, pelo contrário, é a responsabilidade. Ser livre é o que nos permite escolher e assumir nossas escolhas, quer elas sejam boas ou ruins, sem jamais culpar os outros. Se eu não sou livre, como posso ser fiel às minhas promessas?"

Mas hoje no Egito ninguém é livre. Os jornais são censurados, as pessoas não dizem o que pensam abertamente. E as coisas não mudaram muito com relação a isso mesmo depois da Revolução. Para se ter uma idéia, até mesmo quando tentaram reeditar “As Mil e Uma Noites”, um clássico da literatura árabe (com passagens pré-islâmicas, é verdade), houve confusão e isso tem sido muito comum com escritores tanto no Egito quanto em outros países árabes. O nobel egípcio de literatura, Naguib Mahfouz, por exemplo, sofreu um atentado nos anos 90. (vejam um post que fiz sobre uma das obras dele aqui)

"Eu creio na liberdade do homem, e creio na liberdade da mulher. Mas não me sinto feminista por isso. Todo o mundo tem direito ao respeito."

Dina conta que, antigamente, o lugar da mulher na sociedade egípcia era mais claro e respeitado. As mulheres não usavam véu e eram bem vistas mesmo assim. Mas com os problemas econômicos, a pauperização da população, e a explosão demográfica ocorrida nas últimas décadas, os egípcios foram ficando cada vez menos educados, e, portanto, mais manipuláveis pelos extremistas e radicais islâmicos.

Com isso, o preconceito só aumenta. E é por ser diferente que Dina é atacada.



Aguardem o próximo capítulo! 

Capítulos anteriores:





terça-feira, 22 de maio de 2012

Ma liberté de danser - Cap. 6 - Sameh


Por Lalitha

AVISO IMPORTANTE:

Então, gente, antes de entrarmos no material relativo ao quinto capítulo do livro da Dina, quero ressaltar que apenas as partes em itálico e entre aspas são trechos traduzidos do livro (as traduções são minhas e às vezes contem alguma adaptação para facilitar o entendimento do trecho fora do texto completo), e deixo claro que não traduzi o livro inteiro, apenas algumas passagens que julguei importantes ou bonitas. Todo o resto do material é uma compilação de informações contidas no livro e de pesquisa própria minha feita na internet ou na minha biblioteca particular.

O material aqui exposto está todo dividido por capítulo (um capítulo por post, sempre) e cada capítulo está dividido em tópicos para tornar a apresentação mais dinâmica. Adotei essa divisão por pura comodidade e para tornar o material mais didático, o livro não está dividido dessa forma.

6. Sameh

          Como eles se conheceram




Sameh era um diretor de cinema e de clipes musicais, que estudou nos EUA. Eles se conheceram 1997, durante a filmagem de um clipe com o ator Ahmed el-Sakka. Sameh queria que a Dina dançasse enquanto uma prece fosse aparecendo na sua pele, o que ela se recusou a fazer, apesar de achar a ideia bonita, porque os egípcios não estavam prontos para isso. Coisa que só alguém que estudou fora do Egito poderia pensar...

Na época ela tinha acabado de terminar um relacionamento e estava recentemente divorciada, por isso não estava a procura de ninguém e portanto também estava "distraída"... Disseram que ela estava cega, que Sameh estava claramente apaixonado por ela, mas dina não queria saber de namorar e não percebia o que as pessoas viam na atitude do diretor.

Mas Sameh não desistiu e a pediu em casamento, com direito a pedir a mão dela aos seus pais e tudo mais. E Dina realmente gostava dele, e ,apesar de não o conhecer direito, acabou aceitando. 


"Ele me prometeu a terra e a lua juntos, ele me falou de amor, de filhos, de vestido branco, pureza e inocência, eu era uma princesa adormecida a ser acordada pelo beijo de um príncipe. Ele me falou de um sonho que eu jamais pensei que pudesse ser realidade. Eu sou bailarina. Não se promete amor para uma raqa'sa."



          O casamento

O casamento deles foi uma grande festa, que todos os grandes artistas foram prestigiar. Até Arm Diab cantou na festa, junto com outros cantores famosos. Mesmo Fifi Abdou, que era concorrente da Dina nessa época, estava lá festejando e desejando tudo de bom aos noivos. E por sorte, existe no YouTube um trecho filmado dessa festa, com a Dina toda de branco... linda!



 

          Gravidez

2 meses depois do casamento Dina estava gravida. Nessa época o casal vive bem em sua rotina: Sameh gosta de silêncio e solidão para trabalhar e Dina gosta de música, mas eles se dão muito bem. Ele a estimula na sua carreira e a ajuda a manter a rotina, vigiando a sua alimentação e o seu sono.

Essa é a única foto que encontrei da Dina grávida, e ela está dançando num show! O comentário do site original sobre o assunto é que ela estava muito feliz com a gravidez.


Aos 5 meses de gravidez, em 1999, Dina cai durante um ensaio de uma peça de teatro e, com medo do que possa ter acontecido com o bebê, vai para os EUA fazer exames complementares para saber se está tudo bem.


          Uma doença

Está tudo bem com ela, mas quando ela vai dar a notícia para a família, ela ouve falar pelos seus familiares que Sameh não está bem. Ela sabia que ele tinha tido uma doença e passado por uma operação há muitos anos, mas ele nunca explicou tudo pra ela. Dina fica preocupada e convence Sameh a se juntar a ela em Los Angeles para ser avaliado também.


"Eu escuto palavras bárbaras "astrocitoma anaplásico", "tumor no cérebro", "quimioterapia","pouca chance de sucesso", "tentar de tudo", "inoperável", "prognóstico ruim", "estado desesperado".
Dentro da sala, tão fria, o homem de uniforme branco tem nas mãos Sameh, um Sameh resumido em números e folhas de plástico pretas com manchas brancas. E ele me diz que ele vai morrer."


Enquanto eles estão nos EUA avaliando as possibilidades de tratamento para Sameh, Dina chega aos 9 meses de gravidez. E enquanto ela sente uma vida se formando dentro de si, vê outra se esvaindo ao seu lado.


          Ali


"Em 30 de dezembro de 1999, meu ventre se contrai. Acompanhada de Sameh, eu corro para o hospital de Santa Monica. A parteira me coloca na sala de parto, Sameh está atrás da sua câmera, ele filma o parto. As contrações são fortes, mas não dolorosas. Eu olho para o espelho no teto, regulo a minha respiração. Cinco minutos mais tarde, sai a cabeça de Ali. Uma cabecinha pequenininha coberta de cabelos negros e uma boquinha parecida com a minha.
- Você deu à luz em tempo recorde!
A parteira está boquiaberta. Enquanto ela me dá conselhos para o pós-parto, ela me diz que raramente ela vê uma mulher que traz uma criança ao mundo com tanta facilidade.
Eu digo pra ela qual é o meu trabalho. Ela arregala os olhos. A dança do ventre é uma das melhores preparações para o parto. Ela usa todos os músculos, relaxa a bacia e dá tonicidade aos músculos. Foi o coreógrafo Hassan Khalil que disse "A dança do ventre é o movimento do ponto mais sagrado da mulher, o útero, lá onde tudo começa. O segredo da dança do ventre não está na dança, está na mulher""



          Estado terminal

Enquanto isso, a saúde de Sameh se deteriora dia após dia. Mesmo assim ele consegue fazer o seu primeiro longa metragem, Korsi fil Kolob, que recebeu alguma aclamação da crítica especializada. Nem ele nem Dina desistem, ele tenta todo e qualquer tratamento experimental. O tumor chega a diminuir, mas logo em seguida volta a crescer.

Um dos médicos diz pra Dina que ele acha que eles deviam voltar ao Egito, que os tratamentos não estão ajudando, estão apenas fazendo Sameh sofrer. Era melhor voltar para casa e tentar deixá-lo confortável.

Então, eles voltam ao Cairo, mas a família de Sameh não quer saber de desistir e logo em seguida eles estão cheios de médicos marcados. Chegam até mesmo a fazer uma nova cirurgia, mas o tumor continua crescendo.

Sameh, numa última tentativa, resolve tentar a medicina chinesa e viaja para Pequim, voltando menos de uma semana depois arrasado. O prognóstico dos acupunturistas é de menos de um mês de vida.

Alguns dias depois Sameh é internado, e dois meses depois morre.


"Sameh me confiou o seu filho. Enquanto Ali estiver comigo, Sameh também estará. E por toda a minha vida guardarei um lugar no meu coração para os seus olhos amendoados e seu sorriso doce, para esse homem cheio de talento morto em sua juventude."



Aguardem o próximo capítulo! 

Capítulos anteriores:

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ma liberté de danser - Cap. 5 - A última bailarina do Egito


Por Lalitha

AVISO IMPORTANTE:

Então, gente, antes de entrarmos no material relativo ao quinto capítulo do livro da Dina, quero ressaltar que apenas as partes em itálico e entre aspas são trechos traduzidos do livro (as traduções são minhas e às vezes contem alguma adaptação para facilitar o entendimento do trecho fora do texto completo), e deixo claro que não traduzi o livro inteiro, apenas algumas passagens que julguei importantes ou bonitas. Todo o resto do material é uma compilação de informações contidas no livro e de pesquisa própria minha feita na internet ou na minha biblioteca particular.

O material aqui exposto está todo dividido por capítulo (um capítulo por post, sempre) e cada capítulo está dividido em tópicos para tornar a apresentação mais dinâmica. Adotei essa divisão por pura comodidade e para tornar o material mais didático, o livro não está dividido dessa forma.

5. A última bailarina do Egito

          O Egito hoje



Há alguns anos a revista americana News Week publicou uma matéria sobre a dança no ventre no Egito, dizendo que era uma arte no caminho da extinção, e que Dina era a ultima bailarina do Egito.


"Esse título me faz orgulhosa e triste. Das 5 mil bailarinas profissionais que existiam no Egito em 1957, não têm mais do que algumas dezenas hoje em dia."


Hoje em dia, se um turista quer assistir dança do ventre no Egito, dificilmente verá uma nativa, apenas estrangeiras. E há alguns anos, quando elas começaram a chegar no Egito, elas foram vistas com desprezo pelas egípcias, porque, apesar delas saberem dançar, faltava a elas compreensão da música, da letra, da cultura.


"A dança do ventre é uma linguagem. Você pode copiá-la, pronunciá-la com perfeição, mas se não a conhece profundamente, com tudo o que ela carrega de significado, de história, de cultura, de emoção e tradição, você deixa algo escapar."


Só que hoje em dia, cada mais vez mais estrangeiras sabem disso, e procuram de aprofundar nos seus estudos, estudando o árabe, os ritmos e a cultura, e Dina percebe que cada vez mais elas entendem o que estão dançando. E elas vivem a dança do ventre sem tabu, e não existem mais egípcias para rivalizar com elas.

          Histórias da dança do ventre

Desde que Salomé seduziu o rei Herodes, as bailarinas sofrem com má reputação (você pode ver uma resenha que fiz sobre a famosa peça aqui)


"porque elas representam a feminilidade em todo o seu poder, e isso dá medo. E atrai ao mesmo tempo. A dança oriental, mais de que qualquer outra dança no mundo, encarna todos os aspectos da mulher: a sedução, o abandono, o êxtase carnal, o jogo, o compartilhar, a generosidade, o parto, a liberdade. Ela simboliza a alegria e a tristeza."


No Egito a história da dança se confunde com a história do país. As alméias, mulheres de cultura e intelectuais, eram poderosas, e encantaram por séculos os palácios dos sultões otomanos. Apenas elas podiam entrar nos haréns e ensinar as mulheres os segredos da dança e das artes. Elas povoaram as fantasias dos estrangeiros orientalistas no século XVIII. Foi nessa época também que Napoleão invadiu o Egito, e seus soldados ficaram enfeitiçados pelas ghawazi (invasoras de corações), que eram bailarinas e acrobatas. Mas elas também eram pobres e sem educação, e por isso, eram prostitutas


"E dessa forma a dança que elas praticavam foi taxada de vergonhosa, uma vergonha que persegue as bailarinas até hoje."


Pois numa noite sangrenta, Napoleão, cansado do poder que essas mulheres tinham sob os seus soldados, captura 400 delas e manda decapitá-las e jogar os seus corpos no Nilo. O sultão Mohahmed Ali também as expulsa do Cairo, e elas precisam fugir até Esna, perto de Assuã. Somente em 1886 a proibição foi retirada.


"Em cada casa, para cada casamento, elas eram chamadas, pois sua presença era garantia de fertilidade no futuro."


Mas as bailarinas mudaram nesses anos de perseguição, se misturando com outras artistas vindas de outros lugares, como o Líbano e a Síria. A maior parte simplesmente sumiu.  


"E o espírito das alméias se juntou com a força vital das ghawasi."


Em 1893 houve a Exposição Universal em Chicago, e pela primeira vez as egípcias chegaram nos EUA, causando furor. A mais famosa da época era uma bailarina chamada Little Egypt. A partir de então os cabarés e Hollywood se apaixonaram pela dança do ventre, criando esse nome para a dança oriental e parodiando as suas roupas, até chegarmos no “uniforme” de cinturão e bustiê.

Foi nessa época que o cinema egípcio despontou, que o Cairo ganhou seu apelido de OUM EL DOUNIA - a mãe do mundo, por conta da sua influência em todo o mundo árabe.


"Nós éramos o orgulho do mundo árabe, um farol de cultura, de arte e de liberdade, nós guiávamos toda uma civilização."


    •     Quando Dina começou

Ainda tinha muitas grandes bailarinas na ativa, no topo havia: Nagwa Fouad, Soheir Zaki, Fifi Abdou, Lucy e Zizi Mustafa.

Mas isso não quer dizer que era fácil, há mais de 100 anos que se falam horrores das bailarinas, no início do século XX, por exemplo, elas não podiam nem testemunhar em tribunais. Dizia-se que todas as bailarinas eram antigas moradoras de rua, que conseguiram sair da rua por conta da dança, e que por onde elas passassem você podia sentir o cheiro de enxofre.

Porém, na virada dos anos 80 para os anos 90, o público já tinha um conhecimento maior dessa arte, e sabia reconhecer as verdadeiras artistas.


"As maiores bailarinas eram respeitadas, idolatradas. E paradoxalmente, ninguém queria ver sua filha se tornando bailarina!"


Mas mesmo nessa época as coisas já tinham começado a desandar, a dança havia sido proibida na TV desde a época do Nasser, apesar das emissoras passaram os antigos filmes. E alguns movimentos foram “proibidos” na dança, como movimentos com as pernas abertas ou sugestivos. Proibiram que o umbigo das bailarinas estivesse à mostra, e limitaram a altura das saias, e a altura das fendas.

Em 1977, por exemplo, houve um atentado terrorista, feito por extremistas, onde botaram fogo em todas as casas de dança no Saïd, em Minya e em Assiout. Às vezes homens armados iam a casamentos para impedir que as bailarinas dançassem. Enquanto a polícia fazia batidas surpresa para verificar se as bailarinas estavam de acordo com os códigos de vestimenta.


"Eu não me dei conta que as coisas estavam mudando. Mas, em 1995, quando Nagwa Fouad se aposentou, de repente percebi que não éramos mais do que 3 bailarinas. Pouco a pouco, insidiosamente, a dança do ventre tinha começado a morrer, e eu não tinha reparado."


As bailarinas foram se aposentando, rumores de que homens ricos sauditas estavam pagando para que elas abandonassem os palcos correram soltos, muitas bailarinas passaram a usar véu. Dina não acredita na teoria dos sauditas, porque segundo ela nunca a ofereceram dinheiro para parar de dançar.

          O desaparecimento das bailarinas egípcias

Segundo ela, o que precisa ser entendido é que desde os anos 70 o Egito foi mudando. Os homens saíram do país em busca de novas oportunidades ligadas ao petróleo, e quando voltaram trouxeram com eles uma cultura muito mais rígida. Com isso, as artes também foram mudando. O cinema passou a seguir normais mais rígidas. As bailarinas começaram a aparecer nos filmes apenas como ladras, destruidoras de lares. E segundo a Dina, é por isso que quando ela faz uma vilã num filme ela recusa que a personagem seja uma bailarina. Isso porque os egípcios têm dificuldade de distinguir entre o cinema e a realidade.


"E as jovens ficaram com medo. Elas não queriam mais dançar."


Mesmo a palavra bailarina passou a ser um termo pejorativo. As pessoas a falam baixo, envergonhadas. Ninguém quer essa palavra associada ao seu nome.
 




Para melhor ilustrar essas mudanças e o estado atual da dança no Egito eu sugiro o documentário francês "Les danseuses du Caire", onde vocês vão encontrar a tradução do que é falado nesse post do blog:

Kisses from Kairo - "Les danseuses du Caire"




Aguardem o próximo capítulo! 

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