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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Livro do Mês: A Ponte das Turquesas


Ainda no clima de sugerir livros diferentes (cansei um pouco de sugerir apenas livros de literatura ou que falem sobre o Egito), vamos aproveitar o final da novela Salve Jorge e falar sobre a Turquia!

A Ponte das Turquesas foi o livro que me convenceu a escolher a Turquia como destino para a minha lua de mel em 2012 e que virou o diário de viagem que vocês podem ler aqui. Escrito pela historiadora brasileira  Fernanda de Camargo-Moro, o livro é um misto de memórias, relatos de viagem, história e livro de culinária, e de quebra ainda consegue apresentar Istambul como um lugar mágico, cheio de mistérios e de coisas interessantes para descobrir (o que é uma descrição muito realista, diga-se de passagem).

Capa da edição disponível nas melhores livrarias
É engraçado quando começamos a estudar o mundo árabe como às vezes esquecemos dessa cidade tão importante na história mundial, afinal não é qualquer lugar que pode dizer que tem raízes clássicas gregas, resquícios romanos e cristãos e mais tarde ainda virou a capital do Império Otomano, que é muçulmano. É tanta informação e tanta história, importante tanto para o Ocidente quanto para o Oriente, que é difícil acreditar que a autora conseguiu resumir tudo isso num só livro.

E que livro! Além de ser bem escrito (confesso que fiquei receosa por conta de traumas com livros de história soporíferos na época da escola), ele traz histórias pessoais interessantes, e inclui não só a história da cidade, mas também da gastronomia ali presente! É de ficar com água na boca! E como babamos durante essa leitura, se não é com as receitas, é com as belíssimas descrições de Istambul, que faz jus aos elogios quando pisamos os pés por lá e vemos essa jóia da arquitetura ao vivo.

Fica a dica de uma leitura leve, diferente, informativa e cativante :-)

E se alguém fizer uma receita desse livro, por favor me chame!!!!

Vocês podem ver a resenha original do livro aqui.

domingo, 21 de abril de 2013

Diário de Viagem - TURQUIA – 9° dia – Excursão pelo Bósforo

Depois de passar alguns dias acordando inumanamente cedo e tendo que fazer as malas todo dia de manhã, finalmente acordamos num horário razoável, programados para sair às 8h da manhã numa excursão de um dia pelo Bósforo.

Como em todas as excursões, primeiro o guia faz diversas paradas em diversos hotéis para pegar todos os turistas participantes, e enquanto fazia isso ele aproveitou para falar sobre a vida dos sultões na época do Império Otomano.

A nossa primeira parada seria, na verdade, o Bazar das Especiarias, conhecido também como Bazar Egípcio, que é menor do que o Grande Bazar, e, adivinha, é especializado em especiarias e artigos relacionados (perfumes, essências, temperos, comidas em geral e, claro, quinquilharias). O Bazar foi construído do lado da Mesquita Nova, e data do século XVII, e ganhou o nome Egípcio porque foi construído com receitas vindas do Egito. Ali vale à pena visitar a parte de dentro do Bazar, que é linda, extremamente colorida e com um cheiro estonteante (de bom!!!), porém, se a sua idéia é fazer compras por um bom preço, faça-as do lado de fora, onde tudo é mais barato, e mais confuso também, com alguma probabilidade dos vendedores só falarem turco.

bancada "básica" de chás
As lojas são dividas meio que por temas, tem lojas só de doces, outras só de ervas e chás, outras só de temperos. Acabamos por visitar algumas, comprando uma quantidade absurda de chá (tenho chá para alguns anos em casa agora), algumas castanhas, doces e essências (adoro um cheirinho). A loja de essências que visitamos também vendia chás, o que facilitou muito o regateio final com o vendedor. Aliás, aquela loja foi uma visita à parte, pois ficamos muito tempo batendo papo com o vendedor, que era muito simpático, e dava para ver como ele suava frio quando percebeu que eu é que estava negociando. Ah, sim, na Turquia na maioria das vezes a mulher escolhe o que ela quer levar e depois o marido se encarrega de negociar o preço (isso acontece tanto com os turcos quanto com os estrangeiros), mas nesse caso o vendedor já conta com a venda, pois a mulher já decidiu o que ela quer. Só que não era esse o caso, e o vendedor ficou para morrer, e passou toda a negociação dizendo para o meu marido que ele tinha muita sorte comigo. Fica a dica, mulheres, negociem vocês mesmas! Só não se esqueçam de duas regras: se você aceitar levar alguma coisa, depois não pode desistir, eles ficam extremamente ofendidos. Se você disser que não quer levar, também é complicado mudar de idéia, eles não abaixam o preço se perceberem que você está só fazendo charme. O lance é manter o “poker face”.

prateleira de essências da tal loja onde ficamos muito tempo batendo papo
Depois de passar uma hora e meia nesse império dos sentidos, pegamos novamente o ônibus para atravessar a rua. É sério. Aparentemente o guia não podia atravessar a rua com o grupo inteiro. Do outro lado da rua ficava a marina, onde pegamos um barco para passear pelo Bósforo, uma excursão de mais uma hora e meia fazendo um ziguezague e vendo todos os pontos importantes desde o Chifre de Ouro. Acho que nesse ponto demos um certo azar com o nosso guia, que apesar de conhecer bem todos os pontos que chamavam atenção nas margens do Bósforo, às vezes mais parecia um corretor de imóveis. Era “casa de 1,5 milhão” pra cá, “casa de 3 milhões” pra lá... entremeadas de informações realmente interessantes, como a escola onde estudou o Ataturk, ruínas de uma fortaleza, casa onde atualmente fica a boate mais badalada da cidade e palácios importantes do governo e do Império Otomano. A mini-viagem em si é muito linda, as casas e a vista são desbundantes e valem muito a pena o passeio. Além de ser muito agradável, naquele calor forte de verão, um belo passeio de barco, com um bom vento refrescante. Falando em refrescante, outro ponto negativo é que no barco são oferecidas diversas bebidas, mas esquecem de te avisar que elas não são de graça.

A vista do passeio é deslembrante!
Depois do passeio, saltamos do lado europeu da cidade para almoçar num restaurante especializado em peixes, e peixes tivemos no almoço! Primeiro serviram diversas entradas: uma espécie de sardinha servida em forma de filés, arroz com mexilhão servido em conchas (como a nossa casquinha de siri), uma salada de frutos de mar, outra salada (essa mais “normal”, de pepino e tomate), mais uma salada de batatas com iogurte e especiarias e pão. Depois vieram outros tipos de comida quente, especialmente frituras: um tipo de pastel, uma coisa esquisita feita de batata, abobrinha frita e um feixe que parecia dourado, servido inteiro e grelhado. De sobremesa foi servido melancia. Claro que aproveitei para beber mais ayran, a bebida nacional turca, feita de iogurte salgado.

Depois do almoço, voltamos a pegar o ônibus e atravessamos para a parte asiática da cidade, para visitarmos o palácio de veraneio do sultão, chamado de Palácio Beylerbeyi. Claro que esse palácio é considerado pequeno, afinal ele é de veraneio, mas ainda é um palácio do sultão, e, portanto, ele tem “apenas” 24 quartos e salões, e apenas 6 banheiros, o que é uma grande vantagem com relação a qualquer palácio europeu, que nem banheiro tem, né? Os orientais sempre foram mais preocupados com a higiene. Um detalhe interessante sobre esse palácio é que ele não possui cozinha, porque o palácio original pegou fogo justamente na cozinha, e a sultana decidiu que não queria mais correr o risco.

única foto que consegui tirar dentro do palácio antes de ser repreendida
Infelizmente não é permitido tirar fotos dentro do palácio, mas ele segue um estilo bem mais moderno do que o Topkapi, com muito ouro, muitos detalhes e pinturas em estilo ocidental nas paredes. De uma forma geral, esse palácio é bem modernoso e ocidentalizado, já que ele foi construído em torno de 1860. E a visita vale a pena não só do ponto de vista arquitetônico, mas porque o palácio é praticamente um museu, recheado de objetos e mobiliário do mundo inteiro. Um detalhe importante sobre a visita: para entrar no Beylerbeyi é preciso estar acompanhado de um guia, e os horários de visita são extremamente restritos, praticamente com hora marcada, entrando apenas um número limitado de pessoas por vez, e um grupo só pode entrar depois que o grupo anterior tiver saído. Portanto, quem quiser visitar o palácio sozinho, tome cuidado e se prepare para ficar algum tempo passeando pelo jardim, esperando a sua vez para entrar. Mas não se desespere, o jardim é um passeio à parte, e é muito bonito também.

O jardim é muito agradável, e tem uma vista linda também
Depois do Palácio, a excursão nos levou a um lugar conhecido como Colina dos Namorados, que nada mais é do que um bistrô com uma vista muito bonita de Istambul. Em outras palavras, foi uma enxeção de lingüiça com vista, pois ficamos muito mais tempo do que o razoável por lá. Eu e o Caike aproveitamos para tomar um chá, eu pedi um quente e ele um frio.

vista da Colina dos Namorados
Voltando do tour, saltamos do ônibus na praça Taksim, pois queríamos aproveitar para trocar nossos euros por liras turcas, o que é muito fácil de fazer nessa região, que é cheia de casas de câmbio.

rotatória da Praça Taksim
Depois demos uma passada no nosso hotel para um pit-stop, e acabamos por encontrar o casal paulista simpático que nos acompanhou durante boa parte da viagem, e novamente trocamos impressões sobre o tour do Bósforo, onde concordamos que valia a pena, mas que podia ser melhor, especialmente se tivéssemos outro guia mais simpático e menos estilo corretor de imóveis.

Como já estava tarde para fazer um passeio distante, resolvemos passear pela rua mais famosa do bairro Taksim, que é uma espécie de “calçadão”, onde se encontram todos os tipos de loja que você pode imaginar, numa espécie de Saara de Istambul, só que muito mais chique e limpo, com direito a muitos barzinhos e restaurantes no meio do caminho. Além de muitas lojas de marca! Claro que eu aproveitei para fazer compras, porque não sou de ferro.

as lojas antigas são belíssimas por dentro!
Mas o passeio é interessante de uma forma não-consumista também, pois nessa rua passa um bonde daqueles antigos, de trilho e todo aberto, que nesse dia (provavelmente por conta do Ramadã) estava com convidados especiais: uma banda pop tocando ao vivo! As lojas são todas muito bonitas, e algumas ficam em prédios bem antigos, que vale a pena entrar só para dar uma olhada. E claro, tem o tradicional sorvete turco! Essa é uma atração à parte! Mesmo que você não goste de sorvete, compre um, porque é uma aventura! O vendedor de sorvete é um malabarista, e a graça dos seus truques é justamente sacanear o comprador, que tenta em vão ficar com o seu sorvete nas mãos. Como era Ramadã, quando chegamos ao vendedor de sorvete, a loja estava absolutamente vazia, pois ainda era dia, e, portanto, os turistas estavam evitando comer em público, já que a maior parte dos turcos é muçulmana, e por isso estavam jejuando até o pôr do sol. Só que estávamos com fome, e faltava muito pouco tempo para a noite cair, e decidimos pedir o tal sorvete (que por sinal também é muito gostoso), e o vendedor fez um show tão bonito que logo depois a fila para comprar sorvete ficou lotada.

o simpático bonde de Istambul
Também passeamos por um shopping imenso em busca de uma loja de eletrônicos indicada pelo casal paulista, que não nos agradou muito, porém quando estávamos saindo do shopping nos deparamos com um show de dervixes na porta! O Ramadã realmente é uma época interessante! Acabamos por jantar numa espécie de fast food de massas, que além de não ser fast, não era muito gostoso. Mas ficava ao lado de uma loja de chocolates que foi uma perdição!

O "calçadão" de Taksim a noite, completamente iluminado!
Já cansados e carregados de compras, finalmente voltamos ao hotel para dormir, pois o dia seguinte prometia ser muito mais animado e cansativo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Diário de Viagem - TURQUIA – 8° dia - Passeando de balão


Como eu disse anteriormente, para andar de balão é preciso acordar cedo, mas muito cedo mesmo! A saída do hotel estava marcada para 4:45h da madrugada (gente, tem vezes que eu vou dormir mais tarde do que isso!), isto quer dizer que eu acordei 4h, para tomar banho e fechar as malas, porque depois teríamos pouco tempo para isso, e nesse dia cairíamos novamente na estrada.

Uma van veio nos buscar juntamente com outros turistas que iriam subir ao céu naquela manhã. Por causa da hora, confesso que levei um casaco, porque achei que pudesse pegar um vento um pouco mais frio, o que foi uma decisão acertada, lá no alto realmente é mais fresco. Mas antes de chegarmos ao balão, fomos para uma espécie de central de visitantes, onde estava sendo servido uma tentativa ruim de café da manhã. A comida era ruim, o café e o pão eram frios... enfim, um desastre. Pelo menos deu para enganar um pouco a fome, que ainda estava dormindo.

Enquanto tomávamos o pseudo café da manhã tínhamos como vista os balões sendo preparados
Depois fomos levados para o nosso balão. E tinham diversos balões no local, todos em fases diferentes de preparação para a decolagem, o que foi muito interessante de ver. Depois de observar bem o processo, o nosso balão ficou pronto, nos separamos pelas diversas divisórias da cesta e alçamos vôo! Confesso que eu estava preocupada com o Caike, que tem um medo quase patológico de altura, mas a subida de balão é tão suave, mas tão suave que ele ficou muito tranqüilo.

Nosso balão quase pronto!
Início da subida com os demais balões
E o passeio é mesmo bonito, a vista da Capadócia é sensacional, com aquela paisagem tão diferente, com as rochas esburacadas, e o céu lotado de balões coloridos! Acho que valeu a pena a viagem. Porém, não foi o melhor passeio de balão que já fiz, pois acho que o passeio no Egito, em Luxor, é muito mais bonito. Não que a Capadócia não seja tão bonita, mas é porque essa região da Turquia é tão acidentada que podemos ter uma boa visão panorâmica da região no alto de suas “montanhas”, e ela é muito parecida com a vista do balão. Já no Egito, que é praticamente plano, você só consegue ter uma boa visão panorâmica de balão, o que deixa o passeio muito mais bonito e surpreendente. Em compensação, os baloeiros turcos gostam de acrescentar um pouco de emoção à viagem, pois eles fazem os balões passarem bem pertinho das rochas, de forma que você tem a sensação de que se esticar o braço poderá até encostar nelas!

Uma vista diferente com participação especial do nosso baloeiro!
A vista fica assim, cheia de balões! Repare como eles voam baixo também!
Mas o passeio em si é muito tranqüilo, o Caike só ficou realmente nervoso quando subimos além das rochas e fomos bem alto, quando a vista fica realmente diferente, parecida com a de um avião em estágio de descida. E no Egito essa vista ainda é mais bonita, por conta do contraste do Nilo, suas margens cultivadas e o deserto – azul, verde e dourado, enquanto na Capadócia essa visão é predominantemente cinza.

Um dos pontos altos do passeio, literalmente
E começamos a descer!
Depois de quase matar o Caike do coração, finalmente começamos a descer, e eu aprendi como se pousa de balão. Depois de ter sofrido uma aterrissagem de emergência em Luxor (que eu descobri só depois que tinha sido um acidente), aprendi que o balão pousa de forma bem suave e gentil, e já em cima da caçamba do mini-caminhão que transporta a cesta. É tão suave que para pousar mesmo e prender a cesta na caçamba é preciso que diversos homens que estão em terra se dependurem no balão para fazê-lo descer.

E voltamos à terra firme!
Fomos recebidos em terra com espumante e uma espécie de certificado de que voamos de balão, o que foi muito simpático. Aproveitamos para também tirar fotos com o nosso baloeiro.

Espumante com direito à vista!
Nosso baloeiro entregando os certificados!
Depois a van que acompanhava a equipe de “resgate” do balão nos levou de volta para o hotel, onde finalmente tomamos um café da manhã digno (mais do que digno, já que o hotel da Capadócia era chique demais), terminamos de fechar as malas e trocamos de roupa (o passeio de balão te deixa coberto de poeira da cabeça aos pés, é uma loucura).

Às 9h fomos nos encontrar com o nosso ônibus de viagem, e nos juntar com os demais turistas da nossa excursão que ficaram em outros hotéis. Como estávamos a caminho de Ancara, que fica bem longe, fizemos 3 paradas técnicas no percurso. A primeira foi bem sem graça e aproveitei para dormir no ônibus, saindo apenas para ir ao banheiro, na segunda paramos para almoçar, e como nossos neurônios ainda estavam dormindo, exageramos feio na quantidade de comida que pedimos, pois além de dois pidês (tipo de pizza num formato inusitado) pedimos também um prato que lembrava uma mistura de pastel com crepe, um para cada um de nós! Quando metade da comida chegou tentamos cancelar o pedido dos demais pratos, mas o garçom se recusou a entender o que queríamos dizer e acabamos por desistir de discutir e nos entupimos de comida, e mesmo assim sobrou muita coisa. Mas a terceira parada é que foi bacana! Paramos num caravançarai modernizado muito bonitinho! Com direito a diversas cadeiras e almofadas para descansar, e as onipresentes lojinhas de souvenires.

Caike no caravançarai modernizado
E finalmente chegamos à Ancara, a capital da Turquia! Ancara é uma cidade muito grande, mas não tanto quanto Istambul, para comparar, pense que Ancara equivale a Brasília, enquanto Istambul é São Paulo. Inclusive as razões para mudar a capital para essa cidade foram exatamente as mesmas usadas pelo JK e a situação era muito parecida também, pois Ancara era uma cidadezinha do interior sem estrutura nenhuma. A desvantagem dos turcos é que eles não tinham o Niemeyer. A desvantagem brasileira é que não temos tantos sítios arqueológicos para montar um museu como o de Ancara. Como a Turquia e o Brasil são realmente parecidos!

A nossa estadia em Ancara seria curta, apenas uma tarde, mas não deixamos de visitar o Museu Arqueológico da cidade, que é recheado de relíquias do mundo antigo, incluindo uma linda sessão de peças e frisos Hititas (um dos povos que estavam sempre disputando territórios com os antigos egípcios, como você pode ler na série Ramsés), além de peças extremamente antigas que remontam ao tempo em que os deuses cultuados na região eram mulheres, e mostram as mudanças da religiosidade na região. Enfim, o Museu é uma maravilha para se passar horas visitando com calma, e olha que quando chegamos lá metade do museu estava fechado para reformas! Foi uma pena que quando a guia perguntou sobre o tempo que o pessoal queria ficar visitando o museu, a maioria das pessoas simplesmente não se interessava pelo assunto, e ficamos com muito pouco tempo livre para ver a belíssima exposição. Mas a visita não deixou de ser emocionante, pois aproveitamos que esse seria o último dia em que o grupo estaria todo junto e com a nossa maravilhosa guia Tina, e escolhemos o momento anterior à visita ao museu para fazermos uma homenagem a ela e entregarmos a caixinha que tínhamos juntado entre os participantes da excursão. E foi uma homenagem muito linda mesmo, a Tina e diversas outras pessoas acabaram com os olhos cheios de lágrimas.

Uma das mais antigas estátuas da Deusa!
Restos mortais supostamente do Rei Midas! Aquele lesmo da lenda, que transformava tudo o que tocava em ouro!
Baixo relevo hitita
Com a nossa maravilhosa guia Tina!
Saindo do Museu Arqueológico fomos visitar outro grande marco da cidade: o Mausoléu de Ataturk. O engraçado dessa visita é como é feita a segurança do Mausoléu: para evitar a entrada de possíveis vândalos os militares exigem que todos passem pelo detector de metais, só que para isso você sai do ônibus, e depois volta a subir no ônibus, que não é revistado. Gente, quando eu disse que a Turquia é o Brasil eu não estava exagerando! Foi preciso muito autocontrole para não rir durante a “revista”. Mas, enfim, o Mausoléu foi inaugurado em 1953, 15 anos depois da morte de Mustafa Kemal Ataturk, o grande fundador da Turquia Moderna. Sua arquitetura foi definida através de um concurso, onde a melhor proposta foi do professor Emin Onat, que se inspirou na história da Turquia. Como uma grande enciclopédia em pedra, o Mausoléu foi construído com pedras trazidas de diversas regiões do país, representando a devoção do povo ao fundador da república. Para representar as diversas fases da história do país, o conjunto arquitetônico possui elementos da arquitetura grega, otomana e seljúcida (muçulmanos que invadiram a Turquia antes dos otomanos), baixo relevo de estilo hitita e mosaicos (elemento comum na arquitetura romana) que retratam desenhos comuns na tapeçaria turca. Para completar, o Mausoléu tem proporções gigantescas! Maior do que uns 3 ou 4 campos de futebol.

Os relevos de estilo hitita ao fundo
Os mosaicos no teto
Para ter uma ideia da grandiosidade do lugar...
Saindo do Mausoléu, nossa guia nos levou até o aeroporto de Ancara, que é muito grande e bem organizado. Porém, os atendentes nem sempre falam um inglês perfeito, e muitos dos turistas não falavam inglês também. Resultado: algumas das mulheres que viajavam no nosso grupo tiveram as suas malas despachadas direto para o Brasil, ao invés de Istambul, onde, como nós, elas ficariam alguns dias antes de voltar. E isso porque elas não quiseram ajuda da guia, que estava ajudando aqueles que não falavam inglês nos guichês.

Despachadas as malas, enquanto aguardávamos o nosso vôo, bateu aquela fome, e fui descobrir um petisco turco que nunca imaginei que fosse encontrar: milho cozido! Sim, só que diferentemente das nossas carrocinhas, o milho lá é servido fora da espiga, num copinho que você pode escolher o tamanho, e também o tempero! Aí é que começam as estranhices, pois até tempero doce você pode colocar no seu milho! Eu escolhi algo bem tranqüilo: manteiga e sal. Ficou maravilhoso.

O vôo de volta à Istambul foi muito tranqüilo e rápido, apesar da mesa da minha poltrona estar quebrada, isto é, ela não ficava recolhida. Ainda bem que os comissários de bordo sabiam disso e ninguém veio encher o saco para dizer que eu tinha que recolher a tal mesa.

Infelizmente só quando chegamos em Istambul é que fomos descobrir o tal problema das malas das outras brasileiras, o que nos custou uma longa espera até o problema ser comunicado à empresa aérea, que garantiu que levaria as bagagens para suas donas assim que elas retornassem a Istambul no dia seguinte. Confesso que fiquei com pena, mas também foi muito chato ficar lá esperando isso ser resolvido.

Finalmente de volta a essa linda cidade, e ao nosso hotel (o mesmo que ficamos quando chegamos na Turquia), guardamos nossas malas no novo quarto e resolvemos jantar no restaurante do próprio hotel, pois estávamos exaustos! Para variar, pedi um kebab de cordeiro com pão pita, que infelizmente veio picante, mas deu para comer bem porque pedi um ayran para acompanhar, e o iogurte cortou bem a pimenta.

O jantar temperado com muita pimenta e sono!
Depois do jantar fomos descobrir o verdadeiro sentido da palavra capotar de sono. E precisávamos descansar mesmo, pois ainda tínhamos que desvendar os mistérios de Istambul!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Diario de Viagem - TURQUIA - 3° dia - Atravessando o Estreito de Dardanelos


Apesar de termos acordado muito cedo, pois nossa excursão saía às 7:10h da manhã, dormimos bem, porque deixamos o ar condicionado dos infernos desligado. Apesar de ser verão, as noites são frescas na Turquia.

Descemos para o lobby para fechar o nosso quarto e deixar nossas malas antes de tomar o que desse de café da manhã (levando em consideração que o café começava oficialmente às 7h, na teoria tínhamos só 10 minutos para comer, mas boa parte do buffet já estava exposto quando subimos para o terraço às 6:45, graças a deus!).

Encontramos novamente o casal simpático no café da manhã, para descobrirmos que pegaríamos o mesmo tour, por isso começamos a achar que o mesmo seria em português! Para mim isso seria ótimo, pois apesar de entender bem espanhol, não consigo dizer uma palavra nessa língua estranha, é só eu tentar falar alguma coisa, mesmo em portunhol, que sai francês. Complicado, né?

Eu e o Caike terminamos nosso café primeiro, e descemos para ver se o ônibus já tinha chegado. No lobby, uma baixinha de cabelos bem encaracolados e cor de fogo perguntava pelos brasileiros do hotel. Era a nossa guia, que, olha só, falava português! Confesso que fiquei aliviada. Subimos no ônibus, e como éramos uns dos primeiros a chegar, conseguimos um bom lugar lá na frente (eu enjoo muito fácil, então não posso ficar atrás nos ônibus, isso significa ter que chegar antes dos outros nos ônibus).

Depois de todos embarcarem no ônibus (inclusive o casal simpático), começamos nosso tour pelos hotéis de Istambul para catar todos os demais brasileiros que havia chegado com a gente dois dias antes, e mais alguns que ainda não havíamos conhecido.

Nossa guia era uma turca chamada Tina, ruiva-fogo de cachos tipo anjinho mas com estilo rebelde, olhos claros, mais baixa do que eu (assim considero pessoas que precisam de sapato plataforma para ficar da minha altura rsrsrs), muito simpática e fanática por pôr do sol (ela passaria os próximos dias dando dicas de onde ver o pôr do sol).

Ela começa o nosso tour dando dicas sobre Istambul (afinal, a maioria de nós voltaria para ficar mais alguns dias na cidade no final desse tour), e falando do aqueduto pelo qual passamos e que juramos que era a Lapa. Depois ela começou uma grande aula sobre a Turquia.

A Lapa em Istambul

Mapa da Turquia
A Turquia é um país que fica bem na divisa entre a Europa e a Ásia (pedi para liberarem meu cartão de crédito para os dois continentes por via das dúvidas), e tem 3% do seu território localizado na Europa, enquanto os outros 97% ficam na Ásia Menor, também conhecida como Anatólia. Istambul é a cidade que fica exatamente nessa divisa, e é a única cidade do mundo que pertence a dois continentes. A Anatólia foi berço/passagem/morada de diversas civilizações, entre elas os hititas, gregos, romanos e turcos. O nosso tour com a Tina incluiria muitas coisas interessantes de todas essas culturas!

E no nosso primeiro dia de viagem, fomos contornando o Mar de Marmara e passando pelos balneários frequentados pela galera de Istambul, algo parecido com Cabo Frio, só que sem areia nas praias e com aquele azul magnífico que só o Mediterrâneo tem (apesar da costa oeste da Turquia ser predominantemente do Mar Egeu, ele não deixa de ser uma continuação do Mediterrâneo, por isso tem a mesma cor, o Mar de Marmara também tem, apesar de ser bem menos salgado e de só se comunicar com o Egeu através do Estreito de Dardanelos).
Ao sair de Istambul vemos que a Turquia tem energia renovável!

Um dos principais produtos agrícolas do país: girassol!

Balneário com o Mar de Marmara ao fundo

Depois dessas primeiras explicações sobre a Turquia (que eu vou colocando aos poucos, senão fica chato e eu vou adiantar a viagem), fizemos uma "parada técnica", com direito a banheiro e lanchinho. Os banheiros na Turquia, na maioria dos lugares, são pagos, custa 1 lira turca para usar (equivalente a 1 real), mas são todos satisfatoriamente limpos (melhores do que de muito barzinho no Rio). Vale a pena guardar as suas moedinhas para essas ocasiões. Só tem que tomar cuidado para não pegar um banheiro turco (aquele que só tem um buraco no chão), que é complicado de usar.

Eu também aproveitei a parada para comprar umas besteirinhas para comer (coisas que chegaram em sua maioria intactas no Brasil, acredita? Só abri uma balinha de melancia deliciosa, que é igual ao Trident de melancia, mas que está até hoje na minha bolsa) e o Caike comprou um café com chocolate em lata da Nestlé que ele detestou, mas que eu achei aceitável, portanto, acabei bebendo o café todo.

Depois de uns 25 minutos voltamos para o ônibus, e a Tina, toda solícita, resolveu colocar o programa do Amauri Junior sobre a Turquia na TV do ônibus. Eu entendo a boa vontade dela, e ela foi muito simpática arranjando o vídeo, mas, sério, o Amauri é pura V.A. (vergonha alheia). Os comentários eram tão ruins que até o ônibus ficou com vergonha e o mapa pendurado no teto na frente da TV passou o dia inteiro caindo e tampando o programa.

Paramos para almoçar na cidade de Gelibolu, numa região conhecida como Galipoli, que foi palco de uma das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial, e foi justamente nessa batalha que o futuro fundador da Turquia moderna, Ataturk, fez fama como militar. Falarei mais dele nos próximos posts. Fomos todos a um restaurante do lado do porto onde pegaríamos uma barca para atravessar o Estreito de Dardanelos, saindo da Europa e indo, pela primeira vez na nossa viagem, para a Ásia!

Mapa do Estreito de Dardanelos com os lugares por onde passamos!

Uma das barcas vista do restaurante
O restaurante era muito interessante, você montava o prato escolhendo a carne e os acompanhamentos, sendo que cada item tinha um preço fixo. Eu e o Caike achamos que era melhor montar o nosso prato dividindo os acompanhamentos, pois eles eram bem servidos, e assim teríamos mais variedade por um preço mais em conta. Escolhemos também um peixe que lembrava badejo, mas que tinha um nome impronunciável. Pedimos de acompanhamento uma salada, com tomate e pepino, arroz branco e berinjela (que vinha com uma pimenta verde imensa que não dava para comer, o Caike tentou e quase passou mal). O peixe demorou séculos para chegar (já tínhamos comido quase todo o acompanhamento), mas valeu a pena a espera, porque estava divino! Derretendo como manteiga na boca...
Nós no restaurante interessante, com direito a almoço ao lado do mar...

Os acompanhamentos sem a pimenta bizarra

O peixe maravilhoso!
Depois do almoço, voltamos ao ônibus para ele poder entrar na barca que nos levaria para Lapseki, do outro lado do Dardanelos. A viagem durou 25 minutos de muito vento e um sol delicioso, que muita gente evitou, ficando na parte fechada do barco, que tinha uma área com cadeiras para os passageiros aproveitarem a vista durante a travessia. Uma delícia :-)

Pescadores

Os carros e o nosso ônibus dentro da barca

Solzinho gostoso...

Ventava tanto que até o meu curtinho ficou bagunçado!
Chegando na Ásia fomos visitar o sítio arqueológico de Troia, que realmente existe! É bem destruído comparado com outros sítios arqueológicos da Turquia, mas vale a visita! Primeiro você descobre que foi um alemão maluco que descobriu a localização de Troia, e isso porque ele era fanboy do Homero e da Ilíada. Apesar de ter nascido pobre, ele cresceu ouvindo essas histórias da Ilíada, e quando ele cresceu e ficou rico, ele se casou com uma grega, Sofia (fanatismo em níveis épicos, gente), e resolveu largar as suas empresas nas mãos de administradores e ir para a Turquia catar Troia, só com o livro de Homero nas mãos. Daí você vê que Homero era bom, porque o alemão achou a cidade, mesmo com ela não estando mais na costa, por conta de séculos de terremotos que aterraram o mar.
Na entrada do sítio arqueológico não podia faltar um cavalo!

O que restou da entrada de Troia II

Um poço de Troia 1

Nossa guia de cabelos de fogo mostrando a muralha de Troia VII
Parece um teatro, mas é um bouleuterion, local onde se realizavam as assembleias populares
Então ele bancou a escavação de Troia, e na sua avidez por encontrar o tesouro de Helena, acabou fazendo alguns estragos na cidade histórica. Pois não há uma Troia, são 9 Troias! Uma construída em cima da outra, e destruídas por terremotos ou incêndios. A Troia de Homero é a n° 6! E realmente nessa época a cidade participou de uma guerra contra os gregos e perdeu, portanto a cidade n° 7 já é grega.
As camadas sobrepostas das Troias
Voltando ao Alemão, ele, ao tentar achar o tal tesouro, acabou fazendo estragos em algumas construções importantes e deixando impossível diferenciar as camadas por onde ele passou, mas ele foi recompensado mesmo assim, pois ele achou o tal tesouro! Arqueólogos posteriormente negaram que o tal tesouro pudesse ser de Helena, pois os testes o dataram como sendo anterior a Troia n° 6, mas fanboy como ele era ele nunca acreditou nisso. E pior, ficou tão fascinado com a sua descoberta, que após fotografar Sofia (a sua própria Helena grega) coberta pelo tesouro, ele fugiu de volta para a Alemanha com ele. O governo turco tentou recuperar o tesouro após a Segunda Guerra Mundial, mas nessa época ele já havia desaparecido da Alemanha, roubado pelos sovietes. As jóias hoje estão na Rússia.

O estrago do alemão. Tudo o que se vê ao fundo era mar!

O tesouro encontrado pelo alemão, que foi datado como sendo de Troia II, e sua esposa Sofia usando as jóias
Depois de todo esse drama, fomos para a cidade mais próxima, Çanakkale, onde ficamos hospedados no Hotel Kolin. O hotel era muito bonito, mas muita coisa era só aparência, pois os elevadores tinham problemas crônicos de não guardarem os andares apertados, ele parava no próximo andar e simplesmente apagava os demais solicitados. Teve gente fazendo longas viagens até o quarto. E isso nos elevadores que estavam funcionando! Tinha elevador parado também. Acabamos por usar o de serviço, que pelo menos funcionava.
Dentro do hotel chiquetoso
A vista do quarto era desbundante, dando para uma baía linda com aquele azul! Como era cedo, e o sol se punha muito tarde, fomos direto para a piscina (e novamente vimos que o hotel tinha muito mais aparência do que qualidade... áreas fechadas sem explicação, o sistema de toalhas era largado, e havia poucas placas indicando o caminho das coisas - caminhos que não estivessem fechados). A tarde estava linda e quente, mas a piscina estava estupidamente gelada. Nem o Caike conseguiu entrar, segundo ele por causa do vento, que realmente era muito forte e contínuo.

A vista do quarto

Piscina impossível de entrar
Depois fomos dar uma olhada na "praia", que era de concreto, mas o mar tinha aquele azul... então tomamos um banho rápido e corremos para o supermercado que tinha em frente ao hotel, e valeu muito a pena! Pois a água que custava 4 liras turcas no quarto, saiu por 25 kuros (centavos). Procuramos também um redbull para o Caike, mas não eles não vendiam a latinha separada, apenas aquelas caixas imensas.
Praia de concreto
Saímos do supermercado (com as águas na mochila, porque era proibido entrar com elas no hotel, claro) e fomos direto assistir ao pôr-do-sol, indicação da Tina, claro. O sol se pôs era 20:30h, e apesar de ter sido mesmo um espetáculo lindo e romântico, estávamos com fome. Então fomos jantar.

Realmente imperdível :-)

O buffet do hotel tinha a mesma característica: a cara era linda, mas a qualidade... as saladas eram mesmo boas, mas as carnes e pratos quentes eram ruinzinhos. Mas além das saladas, tinha uma espécie de quentão sem álcool, muito gostoso, e as sobremesas... uau! Comi de tudo um pouquinho! Uma marmelada estranha que eu acho que era de abóbora, um tipo de manjar de canela, um doce esquisitíssimo de pistache, mas que era muito gostoso, um outro doce de mix de castanhas (o melhor deles) e, por fim, um tipo de pudim libanês, só que sem água de rosas e com avelã (em outras palavras, sem graça).

As sobremesas! Em cima à esquerda o mix de castanhas, do lado, o pudim. No prato a "marmelada", o doce de canela e o esquisitinho de pistache.
E depois dessa maratona, o jetlag nos pegou de vez, e fomos dormir... o dia seguinte também prometia!